Chifres vão à referendo na Suíça

Um país totalmente polarizado vai às urnas. O roteiro, que parece descrever o recente período eleitoral no Brasil, poderia se aplicar à Suíça, país tradicionalmente associado à estabilidade política. Longe de embates entre presidenciáveis ou candidatos a governos estaduais, a população da nação europeia decide no próximo domingo sobre os chifres das vacas, um símbolo nacional que se estende às embalagens de chocolate e cartões postais.

Embora sejam tão representativas, as protuberâncias estão presentes em apenas 10% das vacas na Suíça. Esse fato levou o agricultor e ativista Armin Capaul a reunir quase 120 mil assinaturas - eram necessárias 100 mil - por um referendo nacional sobre a concessão de subsídios de US$ 200 a produtores que criam vacas com chifres.

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Vacas com chifres são cada vez mais raras na Suíça, embora sejam um símbolo nacional (Foto: Fabrice Coffrini/AFP)

Capaul, que batizou a campanha de “dignidade dos animais”, defende que as armações são úteis para regular a temperatura e até mesmo favorecer a comunicação entre os bovinos. Elas são normalmente retiradas para economizar o espaço que as vacas ocupam nos estábulos. Além disso, os animais com chifres tendem a se machucar com mais frequência.

Segundo a agência “Lusa”, pesquisas apontam uma derrota apertada para a campanha pela dignidade: 52% seriam contrários, frente a 45% favoráveis, contabilizados os votos nulos. Referendos são recorrentes na democracia suíça.

O governo da nação europeia se manifestou contra a concessão do subsídio, já que os produtores agrícolas são subsidiados em cerca de US$ 3 bilhões, mas, de acordo com a Constituição, terá de cumprir a proposta de Capaul caso o voto favorável seja majoritário.

Em setembro deste ano, os eleitores suíços rejeitaram em dois referendos o aumento do subsídio a produtores do setor agrícola e a adequação de produtos ao bem-estar animal.