Jornal do Brasil

Internacional

May enfrenta intransigência de seu aliado da Irlanda do Norte por Brexit

Jornal do Brasil

A primeira-ministra britânica, Theresa May, continua batalhando para levar à frente seu plano do Brexit, buscando o apoio de seus reticentes aliados norte-irlandeses e preparando-se para discutir sobre o futuro com o presidente da Comissão Europeia, na quarta-feira, em Bruxelas.

A líder conservadora viajará para a capital europeia na quarta-feira  para conversar com Jean-Claude Juncker, informou Downing Street nesta terça-feira(20).

Eles debaterão principalmente a nova relação comercial entre o Reino Unido e a UE, que deverá entrar em vigor após o período de transição pós-Brexit, inicialmente previsto até ao final de 2020.

May está lutando para superar a crise causada na semana passada pela apresentação do projeto de acordo negociado com Bruxelas, que precipitou a demissão de quatro membros de seu governo e duras críticas do pequeno partido sindicalista norte-irlandês, DUP.

Em um sinal de alerta de que sua aliança está por um fio, devido ao status especial que o acordo prevê para a província britânica da Irlanda do Norte, na noite de segunda-feira os deputados do DUP, que permitem que May tenha uma maioria frágil no Parlamento, abstiveram-se na votação de três alterações ao projeto de lei das finanças.

Em outra questão, eles chegaram a votar com a oposição para enviar uma "mensagem política" na forma de aviso ao governo.

Para o porta-voz do DUP, Sammy Wilson, o acordo Brexit viola a garantia "fundamental" de que a Irlanda do Norte não tenha um regime diferente do restante do Reino Unido.

"Tínhamos que fazer algo para mostrar nosso descontentamento", disse ele à BBC. "Temos um acordo com você, mas se você não respeitar sua parte do acordo, não nos sentiremos obrigados a respeitar a nossa", acrescentou.

O que opõe o governo aos sindicalistas é o chamado "backstop", uma solução que prevê, por um lado, que o Reino Unido permaneça em união aduaneira com a UE e, por outro, um maior alinhamento regulatório para a Irlanda do Norte caso não haja acordo sobre a futura relação entre Bruxelas e Londres. Entretanto, esta solução implica uma maior harmonização regulamentar para a Irlanda do Norte.

"Existe potencialmente uma diferença regulatória no regime de backstop", disse o ministro da Justiça, David Gauke, nesta terça-feira à BBC.

"Mas não há diferenças na alfândega, e isso pode ter sido muito problemático", acrescentou. "Espero que o DUP examine detalhadamente o esboço do acordo e perceba que esse é o caminho que deve ser seguido", insistiu.

 

Na outra frente aberta contra a primeira-ministra, a dos parlamentares pró-Brexit de seu próprio partido, a tensão parece ter diminuído.

Liderado pelo eurocético Jacob Rees-Mogg que rejeitou o projeto de acordo, o grupo conservador European Research Group assegurava, na semana passada, que poderia reunir 48 deputados para uma moção de censura contra May. No entanto, apenas 20 deputados se manifestaram publicamente em apoio à moção.

O ex-ministro conservador William Hague alertou para o risco de uma "crise ainda maior", caso May seja derrubada.

"As possíveis alternativas ao acordo proposto pela primeira-ministra para o Brexit são escassas, há muitos outros desejos, esperanças, crenças, ou discursos apaixonados, mas eles não constituem um plano", escreveu o ex-ministro nesta terça-feira no jornal "The Daily Telegraph".

Ainda há incerteza sobre o apoio do Parlamento quando o esboço do acordo for apresentado em dezembro, pelas divisões dos conservadores e da oposição do DUP, mas também do Partido Trabalhista, dos escoceses do SNP e dos liberais democratas.

apz/oaa/phv/sag-acc/ra/cc/tt