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Internacional

Rússia denuncia 'ingerência' na eleição do presidente da Interpol

Um russo está na disputa para encerrar o mandato que era de chinês

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O Kremlin denunciou, nesta terça-feira (20), uma "ingerência" na eleição prevista para esta semana do novo presidente da Interpol, em particular após a oposição de senadores americanos às informações de que um general russo está entre os favoritos.

"Trata-se de uma forma de ingerência no processo eleitoral e nas eleições de uma organização internacional", afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

Pouco depois, o Ministério russo do Interior considerou "inadmissível a politização da Interpol" e destacou a "experiência" do candidato russo.

Reunidos em assembleia geral desde domingo em Dubai, os delegados da Interpol devem eleger, amanhã, o substituto de seu ex-presidente chinês Meng Hongwei, que desapareceu misteriosamente em outubro durante uma viagem a seu país.

Há dois candidatos na disputa para encerrar o mandato de quatro anos de Meng, que vai até 2020: o atual presidente interino, o sul-coreano Kim Jong-yang, e um ex-funcionário de alto escalão do governo russo, Alexander Prokopchuk.

Segundo a biografia publicada no site do Ministério russo do Interior, Prokopchuk, de 56 anos, incorporou-se à Polícia na década de 1990. Em 2003, foi promovido a general de polícia e começou a trabalhar com a Interpol em 2006 - primeiro, como responsável adjunto do escritório da organização na Rússia.

Prokopchuk é poliglota. Fala alemão, polonês, italiano, inglês e francês. Também ficou encarregado da cooperação com a Europol. Em 2014, foi nomeado para o Comitê Executivo da Interpol e, em novembro de 2016, passou a ser seu vice-presidente.

Segundo o britânico "The Sunday Times", as autoridades britânicas antecipam que Prokopchuk, um veterano do Ministério russo do Interior, será eleito.

A informação provocou a reação imediata de críticos do Kremlin, como o investidor britânico William Browder, e congressistas americanos.

Em uma carta aberta publicada na segunda-feira, quatro senadores fizeram um apelo aos delegados dos 192 países-membros da Interpol para que rejeitem a candidatura de Prokopchuk.

Já Browder garante que a Rússia tentou "abusar da Interpol seis vezes" para prendê-lo. O investidor lançou uma cruzada para que sejam punidos os responsáveis pela morte de seu ex-funcionário, o advogado Serguei Magnitski, em uma prisão russa em 2009.

A Rússia "estenderá seus tentáculos criminosos a cada canto do planeta", se Alexander Prokopchuk for eleito presidente da organização, denunciou no Twitter. O oligarca russo exilado, Mikhail Khodorkovski, também criticou.

"Nossa equipe sofreu abusos da Interpol pela perseguição política da Rússia. Não acredito que um presidente russo ajude a reduzir essas violações", tuitou o opositor russo Alexei Navalni.

Já a Ucrânia ameaçou deixar a Interpol, se Prokopchuk for eleito.

"O presidente da Interpol tem certa influência, mas não é um cargo-chave", confirmou Andrei Soldatov, editor-chefe do site Agentura.ru, especializado em casos de Inteligência.

Ele acredita, porém, que "o uso das notificações vermelhas politicamente motivadas aumentará", caso Prokopchuk seja eleito.

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