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Rebeldes do Iêmen pedem suspensão de operações militares para apoiar negociações de paz

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Um líder dos rebeldes iemenitas huthis pediu nesta segunda-feira (19) o congelamento das operações militares contra as forças leais ao governo para dar uma oportunidade aos esforços do enviado da ONU, que esta semana viajará a Sanaa para organizar negociações de paz.

Apoiadas por uma coalizão liderada pela Arábia Saudita desde 2015, as forças pró-governo tentam expulsar os rebeldes huthis dos vastos territórios que conquistaram em 2014, incluindo a capital Sanaa e a cidade portuária de Hodeida, o que afundou o país em uma guerra devastadora.

Em um comunicado divulgado no Twitter, Mohamed Ali Al Huthi, comandante do conselho supremo revolucionário dos rebeldes, indicou que os huthis tomaram a "iniciativa de reunir as diversas facções iemenitas com o objetivo de cessar o lançamento de mísseis sobre os países agressores", em referência, entre outros, à Arábia Saudita.

"A decisão foi tomada para desencorajar qualquer justificativa para a continuidade da agressão, ou do bloqueio, por parte da coalizão contra o país", completa.

O líder rebelde também pediu aos dirigentes rebeldes que confirmem a disposição de "congelar e cessar as operações militares em todas as frentes para chegar a uma paz justa".

A guerra no Iêmen matou quase 10.000 pessoas e representa a maior crise humanitária do mundo, segundo a ONU, mas organizações humanitárias consideram que o balanço de vítimas diretas e indiretas do conflito seja muito maior.

No comunicado, Mohamed Ali Al Huthi afirma que o apelo tem o objetivo de "apoiar os esforços" do enviado da ONU, Martin Griffiths, e demonstrar as "boas intenções" dos insurgentes.

Griffiths havia solicitado o fim dos lançamentos de mísseis e de drones durante uma conversa com os rebeldes.

No domingo, o "ministro das Relações Exteriores" dos rebeldes, Hicham Charaf, reuniu-se com Nicholas Davies, alto funcionário da equipe da ONU, informou a Saba, a agência de notícias dos rebeldes.

O encontro abordou os "esforços do enviado especial para lançar o processo político e as negociações de paz no Iêmen".

A ONU e a comunidade internacional têm de "optar pela via política para acabar com o derramamento de sangue e com a destruição", declarou Charaf, citado pela Saba.

Após uma tentativa frustrada de organizar negociações em setembro em Genebra, Griffiths afirmou na sexta-feira que o Conselho de Segurança da ONU tem a intenção de reunir as partes o mais rápido possível na Suécia.

O governo iemenita anunciou nesta segunda-feira que vai participar das negociações previstas para a Suécia.

"Acredito que estamos perto de superar os obstáculos para que isto possa acontecer", declarou Griffiths, que não citou uma data para o encontro.

De acordo com o enviado da ONU, a coalizão militar liderada por Riad aceitou "ajustes logísticos" para abrir o caminho da negociação. Griffiths também anunciou que um acordo sobre a troca de prisioneiros está próximo, um novo sinal de confiança mútua antes das futuras negociações.

Nesta segunda-feira, o Reino Unido deve apresentar ao Conselho de Segurança um projeto de resolução sobre a crise no Iêmen para apoiar a iniciativa.

O ministro britânico das Relações Exteriores, Jeremy Hunt, desembarcou nesta segunda-feira em Teerã para discutir com o chanceler iraniano, Mohammad Javad Zarid, o papel do Irã no conflito iemenita.