Jornal do Brasil

Internacional

Força multinacional de segurança é mobilizada para cúpula da Apec em Papua-Nova Guiné

Jornal do Brasil

Uma força multinacional com aviões de caça, navios de guerra e soldados de elite será enviada para Port Moresby, uma das capitais mais perigosas do mundo, para garantir a segurança da cúpula do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) neste fim de semana.

Cerca de 4.000 militares, metade estrangeiros, trabalharão junto com centenas de policiais para patrulhar a capital onde, no sábado e domingo, acontecerá a reunião que terá a participação de representantes de 21 países.

O presidente chinês, Xi Jinping, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, e o vice-presidente americano, Mike Pence, irão à cúpula, mas passarão a noite na Austrália, na outra margem do Mar de Coral.

Por conta da limitada oferta hoteleira, a maioria dos 15.000 membros das delegações que devem participar da reunião dormirão em três navios atracados ao porto, complicando a organização de segurança.

Não é a ameaça terrorista que inquieta, mas a reputação de Port Moresby como uma das cidades mais perigosas do mundo.

 

Este ano, o centro de reflexão Economist Intelligence Unit (EIU) colocou Port Moresby na 136ª colocação de 140 na lista das melhores cidades para viver.

Um dos riscos são os sequestros em carros nas ruas onde os grupos criminosos fazem a sua lei. Mais da metade dos 300.000 habitantes da cidade vivem em bairros precários.

Um terço dos 8,5 milhões de habitantes do país vive abaixo da linha da pobreza.

Neste contexto, as autoridades papuas recebem o apoio de Austrália, Estados Unidos e Nova Zelândia.

Canberra se ocupa da maior parte da missão de segurança e se prepara há mais de um ano. A Austrália enviou um contingente de 1.500 militares, assim como caças F/A-18 Super Hornet e aviões de vigilância, além de navios porta-helicópteros ancorados no porto da capital.

Também enviaram navios de guerra australianos, neozelandeses e americanos para vigiar a costa. Tal é a mobilização que, na semana passada, o jornal Post-Courier de Port Moresby denunciou a "invasão da Apec".

O governo de Papua-Nova Guiné autorizou por lei, caso necessário, que os militares estrangeiros usem a força letal durante a cúpula.

 

Segundo o centro de reflexão Australia Defence Association, sem esta cooperação militar estrangeira, o país não poderia organizar uma cúpula internacional.

"Do ponto de vista estratégico e político, não seria possível", explicou seu diretor Neil James.

As autoridades lançaram muitos projetos de renovação em Port Moresby para este evento, muitos financiados pela China.

Dada a extrema pobreza na qual grande parte dos papuas vive, muitos se questionam sobre a pertinência dos gastos destinados à cúpula, como, por exemplo, a compra de 40 Maserati de 150.000 dólares cada, quando os hospitais da província fazem o que podem para administrar a escassez crônica de medicamentos.

Para o vice-primeiro-ministro, Charles Abel, é, no entanto, crucial dar uma boa imagem na Apec, fórum cujos membros pesam 60% do PIB mundial.

"Precisamos de investimentos, de sócios e capital para desenvolver o nosso país", declarou. "A cúpula da Apec será uma maravilhosa ocasião para Papua-Nova Guiné, pois nossas riquezas, nossa população e nossa cultura oferecem muitas oportunidades".

str-ns/arb/jac/ev/cn/pa/mb/cb