Forças do regime recebem ordem para interromper ofensiva em cidade iemenita

Comandantes das forças pró-governo do Iêmen disseram nesta quarta-feira (14) que receberam ordens para suspender as operações contra os rebeldes huthis na cidade portuária de Hodeida, enquanto os Emirados Árabes Unidos, um dos países de apoia o regime, afirmaram apoiar a ideia de negociações de paz.

Os huthis, que controlam esse por estratégico há quatro anos, aproveitaram a relativa calma para instalar minas e "impedir qualquer avanço" das forças do governo - apoiadas militarmente pela Arábia Saudita e pelos EAU -, informaram funcionários do porto à AFP.

Três comandantes disseram à AFP que receberam instruções para cessar-fogo e impedir qualquer progresso até nova ordem.

Mas acrescentaram que "responderão a qualquer movimento do inimigo".

"Apoiamos a convocação o quanto antes de diálogos dirigidos pela ONU", afirmou o ministro de Relações Exteriores dos EAU, Anwar Gargash, em um tuíte.

 

Após 12 dias de bombardeios e ataques que causaram centenas de mortes, a cidade martirizada amanheceu em calma.

"Tudo está quieto hoje (quarta-feira). Aparentemente, não houve confrontos durante a noite, nem nesta manhã, embora você ainda possa ouvir o barulho dos aviões", segundo um correspondente da AFP. Ainda assim, os habitantes temem outro ataque.

Hodeida, às margens do Mar Vermelho, é o ponto de entrada de mais de três quartos das importações e da ajuda humanitária internacional, essencial para um país que sofre com grande fome.

Três funcionários do porto declararam que os huthis haviam plantado os explosivos perto de duas entradas.

"Há apenas uma entrada para o porto e é a porta principal, que leva à Mina Street, e é essa que os caminhões usam", disse um funcionário à AFP.

Um pequeno prédio portuário foi atacado na segunda-feira pela primeira vez desde junho, quando a coalizão anti-rebelde lançou sua ofensiva para tomar a cidade.

O vice-diretor do porto, Yehya Sharafeddin, relatou um ataque aéreo, mas observou que o porto funciona "normalmente".

Os rebeldes, apoiados pelo Irã, também reivindicaram a instalação de minas em várias áreas da província, espalhando imagens na noite de terça-feira do que apresentavam como explosões destinadas a seus adversários.

As Nações Unidas advertiram que um ataque ao porto seria "catastrófico" em um país onde metade da população está à beira da fome.

David Beasley, diretor do Programa Mundial de Alimentos, que visitou o porto, ficou alarmado com "condições extremamente ruins" no local.

Lutas terrestres e ataques aéreos na província de Hodeida se intensificaram nos primeiros dez dias deste mês.

Segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), que confirmou a situação calma desde segunda-feira, durante a primeira semana de novembro houve 92 vítimas civis, das quais 34 foram mortas.

De acordo com fontes militares e hospitalares pró-governo, cerca de 600 pessoas, especialmente combatentes de ambos os lados, foram mortas nos primeiros 12 dias de novembro em Hodeida.

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