Itália quer eleições na Líbia no 1º semestre de 2019

O primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, disse nesta terça-feira (13) que espera que a Líbia realize eleições gerais na primavera boreal de 2019, que corresponde ao período entre março e junho.

A declaração foi dada durante a conferência sobre o país africano promovida pelo governo italiano em Palermo, que terminou sem resultados concretos ou indícios de acordo entre os protagonistas da crise.

Segundo Conte, a "perspectiva de eleições" é um "ponto nevrálgico" do plano de ação das Nações Unidas para a Líbia. "É crucial que [as eleições] possam se desenvolver no respeito das necessárias condições de segurança, com uma perspectiva temporal que aponta esperançosamente para a primavera de 2019", disse.

Existe a perspectiva de que a Conferência Nacional da Líbia, primeiro passo para levar o país às urnas, aconteça em janeiro. "Deixamos Palermo levando conosco o sentimento de confiança na estabilização da Líbia. Não devemos nos iludir, mas foram colocadas premissas importantes", ressaltou o primeiro-ministro.

Já o enviado da ONU para a Líbia, Ghassan Salamè, disse se sentir "mais tranquilo" por ter visto um "compromisso sério" nos participantes da conferência.

Frustração

A expectativa de Roma era encaminhar um acordo entre o primeiro-ministro de união nacional do país africano, Fayez al Sarraj, e seu principal rival, general Khalifa Haftar.

O general, no entanto, chegou atrasado para a conferência e não participou de nenhum compromisso oficial do evento, apenas de uma reunião informal com Conte, Sarraj e outros líderes internacionais, como o primeiro-ministro da Rússia, Dmitri Medvedev, e os presidentes do Egito, Abdel Fattah al Sisi, da Tunísia, Beji Cais Essebsi, e do Conselho Europeu, Donald Tusk.

Na ocasião, Haftar e Sarraj trocaram apertos de mão, porém evitaram assumir compromissos concretos. Os dois já haviam se reunido em 2017, em Paris, quando anunciaram um acordo para realizar eleições em dezembro de 2018, mas o processo não avançou.

Fragmentação

Haftar é um dos principais personagens da Líbia pós-Kadafi e controla territórios no leste do país, tendo como "capital" a cidade de Tobruk. O general não reconhece o governo de união nacional chefiado por Sarraj.

Ele lidera as forças contrárias ao Islã político e tem diversos poços de petróleo sob seu controle. Ex-aliado de Kadafi, Haftar ajudou o futuro ditador a derrubar o rei Idris, em 1969, mas rompeu com o coronel em 1987, após ter sido capturado no Chade.

De lá, guiou, com o apoio da CIA, um fracassado golpe contra Kadafi. Por duas décadas viveu como exilado nos Estados Unidos e ganhou cidadania norte-americana. Hoje Haftar comanda o Exército Nacional Líbio, conjunto de milícias que constitui a principal força armada do país.

O cenário de fragmentação na Líbia permitiu a ascensão de milícias e traficantes de seres humanos, que assumiram o controle do litoral para realizar viagens clandestinas de migrantes no Mediterrâneo. Para a Itália, a única maneira de solucionar a crise migratória de forma definitiva é restabelecer a unidade do país africano.