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CNN processa Casa Branca por barrar seu jornalista

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A emissora de televisão americana CNN decidiu processar o governo de Donald Trump, nesta terça-feira (13), por suspender a credencial de seu correspondente-chefe na Casa Branca Jim Acosta, após uma intensa discussão com o presidente durante uma entrevista coletiva."A CNN apresentou uma demanda contra o governo Trump esta manhã na Corte de Distrito de Washington, DC", indicou a rede, em um comunicado, alegando que "a revogação ilícita" das credenciais de Acosta viola o direito de liberdade de expressão garantido na Primeira Emenda da Constituição americana."A revogação equivocada dessas credenciais viola os direitos de liberdade de imprensa da Primeira Emenda da CNN e de Acosta, e seus direitos da Quinta Emenda ao devido processo", afirmou.A CNN disse ter pedido ao tribunal federal uma ordem de restrição imediata que requer a devolução do passe de Acosta.Segundo a emissora, se a ação não fosse apresentada, as ações da Casa Branca criariam um "perigoso" precedente para qualquer jornalista que cubra funcionários do governo.A Casa Branca suspendeu o passe de Acosta depois de um bate-boca na quarta-feira passada com o presidente Trump, que classificou o jornalista de "pessoa grosseira e terrível", depois que ele rejeitou suas ordens de entregar o microfone durante uma entrevista coletiva.Acosta continuou a fazer perguntas, enquanto uma jovem estagiária da Casa Branca tentava em vão tirar o microfone de sua mão. O governo Trump classificou o gesto de Acosta "comportamento indevido".A porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, garantiu que o jornalista "colocou suas mãos" na jovem e publicou um vídeo editado de tal maneira que dramatiza a cena.As imagens originais mostram claramente, porém, que é a estagiária que tenta tomar o microfone de Acosta e que o jornalista tenta apenas afastar seu braço, ao mesmo tempo em que pede desculpas.A retirada das credenciais de imprensa de Acosta significou uma escalada nas tensões entre o presidente e a CNN, um canal de televisão por assinatura conhecido por sua cobertura crítica do governo Trump.A Associação de Correspondentes da Casa Branca (WHCA, na sigla em inglês) comemorou a ação da CNN e disse que "revogar o acesso (de Acosta) à Casa Branca é uma reação desproporcional diante do ocorrido"."Continuamos pedindo ao governo que reverta sua decisão e restabeleça completamente as credenciais do correspondente da CNN", declarou o presidente da WHCA, Olivier Knox, em um comunicado."O presidente dos Estados Unidos não deveria escolher arbitrariamente os homens e mulheres que o cobrem", acrescentou.

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