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Homem forte do leste da Líbia se nega a participar de conferência

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O homem forte do leste da Líbia, o marechal Khalifa Haftar, anunciou nesta terça-feira que não participará na conferência sobre o processo político do país realizada em Palermo.

Haftar se reunirá, em compensação, com "presidentes dos países vizinhos para falar sobre o desenvolvimento de um plano nacional e internacional" para o país, segundo um comunicado.

Haftar, que controla o leste da Líbia, já não quis participar na segunda em um jantar oferecido pelo chefe do governo italiano, Giuseppe Conte. Mas se reuniu com ele mais tarde, segundo fotos difundidas por sua assessoria de imprensa.

O marechal, que luta contra o extremismo islamita, não quer se sentar junto a alguns dos que considera representantes desse movimento, indicou sua assessoria.

"É uma atitude de dois gumes, porque produz um efeito sensacionalista que a destaca no momento, mas os interlocutores que ele assim humilha sempre se lembram posteriormente", disse Jalel Harchaoui, um especialista líbio da Universidade Paris-VIII.

"Ao não confirmar sua presença, Haftar quer demonstrar que é chave para todo acordo (...) e se fortalece", argumenta Mohamed ElKharh, outro analista líbio.

A nova reunião é celebrada cinco meses após a realizada em maio em Paris e pretende desbloquear o clima político para alcançar um processo eleitoral mais realista em relação ao acordado em França com a celebração de eleições em 10 de dezembro.

A ONU, encarregada de encontrar uma solução para a estabilização da Líbia, atingida por divisões e as lutas de poder desde a queda do regime de Muammar Khaddafi em 2011, reconheceu que o processo eleitoral deve ser prorrogado para 2019.

Como na Cúpula de Paris, Haftar foi convidado para negociações junto com o chefe do governo da União Nacional (GNA) e reconhecido internacionalmente Fayez al Sarakh.

A Itália também convidou dignatários e representantes tribais assim como representantes de países europeus, árabes e dos Estados Unidos.

Chefes de Estado e de Governo participam desta conferência, para a qual cerca de 30 países foram convidados, como Argélia, Tunísia, Egito, Catar, Arábia Saudita, Turquia, Marrocos, França, Alemanha, Grécia e Espanha.

A União Europeia é representada pelo presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk e pela chefe da diplomacia Federica Mogherini.

Por parte da Líbia estão presentes na conferência Shakarraj, Aguila Salah, presidente do Parlamento, e Khaled Al Mechri, presidente do Conselho de Estado em Trípoli.

Depois da conferência realizada em maio em Paris, o governo italiano queria que Palermo servisse de apoio ao 'mapa da paz' das Nações Unidas para a Líbia, apresentado na semana passada em Nova York pelo emissário especial da Líbia, Ghassan Salamé.

"A Itália e a comunidade internacional apoiam o trabalho das Nações Unidas. É necessário superar o impasse em que o processo líbio tem sido por muito tempo", disse Giuseppe Conte em entrevista ao jornal La Stampa publicado na segunda-feira.

Na segunda-feira, antes da conferência, foram realizadas reuniões de segurança entre Conte e Salamé e com os participantes da Líbia.

A conferência de Palermo é sobrecarregada por tensões entre facções e divisões da Líbia entre vários países.

Em uma entrevista à AFP, Sarakh reconheceu que esperava chegar a "uma visão comum da crise" e unificar as posições de França e Itália frente a um dos países mais ricos em petróleo.

A Itália, que mantém laços históricos com a Líbia, já que foi uma de suas poucas colônias, está preocupada com o problema dos migrantes e considera que a estabilidade nesse país do norte da África é uma condição necessária para o equilíbrio do Mediterrâneo.

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