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A dolorosa busca por vítimas de um dos piores incêndios da Califórnia

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Uma equipe que revira os escombros em busca de vítimas de um dos piores incêndios já registrados na Califórnia encontra um homem com o rosto virado para o chão e com as pernas queimadas, entre duas caminhonetes cobertas de cinzas.

"A gente nunca se acostuma. Temos que enfrentar a realidade", comenta um dos três integrantes da equipe que busca vítimas nos arredores da localidade de Paradise.

"Todos têm sua maneira de enfrentar isso. Eu? Prefiro não pensar muito", explica.

O incêndio batizado de "Camp Fire", ao pé de Sierra Nevada, norte de Sacramento, a capital da Califórnia, matou 29 pessoas, arrasou 6.400 construções e praticamente varreu do mapa da cidade de Paradise.

Nos últimos dias, esta equipe formada por um adjunto de delegado do condado de Butte e dois do vizinho condado de Yuba, que não quiseram ser identificados, reviram o que resta de Paradise e muitas comunidades próximas em busca de corpos.

No domingo, eles caminharam vários quilômetros por um elevação rochosa. Praticamente não falam entre si e se concentram em sua dura tarefa.

Dezenas de pessoas estão desaparecidas desde que o fogo teve início na quinta-feira e arrasou a zona.

Alguns sobreviventes podem ter se refugiado em um hotel ou abrigo, incapazes de se comunicar com seus entes queridos, já que as chamas destruíram as torres dos telefones celulares.

Outros, como o homem encontrado entre os veículos nas colinas que dão para o lago Concow, foram cercados pelas chamas.

Teria morrido por causa da fumaça? Vivia no rancho próximo na qual não se salvou sequer uma pequena plantação de maconha dentro da estufa chamuscada?

"É muito cedo para dizer", afirma um dos subdelegados de Yuba.

A equipe tira fotos, anota coordenadas de GPS e pega os documentos de dentro dos carros, na esperança de poder fazer uma identificação.

Levantam o corpo, colocaram em um saco, e o carregam até uma caminhonete fúnebre que os acompanha desde Paradise.

Dezenas de carros e caminhões, alguns aparentemente intactos, estão abandonados na beira da estrada. A equipe procura vítimas em cada um dos veículos.

Dentro da carcaça de um carro incendiado e que bateu contra uma árvore, encontram os restos cremados do tamanho de uma criança.

Um dos oficiais retira os restos com cuidado e os coloca numa lona para poder examiná-los.

"É um animal!" exclama, depois de alguns minutos. Limpa as mãos e resolve continuar. "Vamos", diz para os companheiros.

A equipe prossegue pelo sinuoso caminho até chegar a um rancho abandonado, onde patos, gansos e cabras circulam livremente.

O inesperado encontro com os animais quebra a tensão, mas eles precisam se apressar porque resta apenas uma hora de luz. Além disso, um pneu do carro fúnebre furou.

"Acabamos por hoje", diz um dos oficiais. "Amanhã recomeçaremos", conclui.

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