Jornal do Brasil

Internacional

Nacionalismo fica na mira no centenário do fim da 1ª Guerra Mundial

Jornal do Brasil

Líderes do mundo inteiro comemoraram, neste domingo (11), em Paris, debaixo de chuva, o centenário do fim da Primeira Guerra Mundial, que serviu como uma oportunidade para denunciar nacionalismos e riscos para a paz.

O presidente dos EUA, Donald Trump, o presidente russo, Vladimir Putin, o turco Recep Tayyip Erdogan e a chanceler alemã, Angela Merkel, participaram das comemorações, em meio a cerca de 70 chefes de Estado e de governo. O ponto alto das festividades foi no Arco do Triunfo.

Um século após o fim da Grande Guerra (1914-1918), o anfitrião Emmanuel Macron, em seu discurso, instou os líderes a criar esperança em vez de medo e rejeitar "o fascínio pela retirada, violência e dominação" em memória dos caídos.

"Juntos, podemos evocar essas ameaças que são o espectro do aquecimento global e a degradação de nossa natureza, a pobreza, a fome, as doenças, as desigualdades, a ignorância", insistiu o presidente francês.

Diante da chama eterna, instalada na tumba que representa os 10 milhões de combatentes mortos no conflito, ele condenou o nacionalismo que Trump havia reivindicado há algumas semanas, considerando que é "o oposto" e "a traição" do patriotismo.

Os sinos das igrejas soaram em toda França às 11h locais (8h em Brasília), a mesma hora em que, há 100 anos, soaram os clarins anunciando o cessar-fogo nos campos de batalha.

Chovia quando as autoridades - entre elas o rei espanhol, Felipe VI, o presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez, o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, ou o premiê israelense, Benjamin Netanyahu - chegaram à Champs Élysées e percorreram os últimos metros a pé em um cortejo presidido por Macron e Merkel.

Trump e Putin foram separadamente: o primeiro, a bordo de sua limusine blindada preta.

Mais de 10.000 policiais e gendarmes foram mobilizados para garantir a segurança dos presidentes e de suas delegações, em uma capital sob ameaça permanente de atentados desde 2015.

Isso não impediu que três ativistas do grupo Femen saltassem as barreiras de segurança na Champs Élysées e se aproximassem da comitiva de Trump. As mulheres foram detidas.

Depois que as trombetas soaram, em lembrança daqueles que anunciaram o cessar-fogo há 100 anos, os presidentes almoçaram no Palácio do Eliseu, sede da Presidência francesa. No cardápio: lagosta da Bretanha, ave de Bresse com batatas da região de Somme e sobremesa de chocolate.

Este momento rendeu um diálogo entre Trump e Putin, cujas relações são complexas, durante uma conversa informal da qual também participaram Macron e o secretário-geral da ONU, António Guterres.

 

Na parte da tarde, todos os líderes, exceto Trump, participaram com membros da sociedade civil de um Fórum Internacional pela Paz organizado pela presidência francesa para defender o multilateralismo que prevaleceu desde o final da Segunda Guerra Mundial.

Angela Merkel lembrou que o projeto de uma Europa em paz está ameaçado pela ascensão do nacionalismo e expressou sua preocupação de que "pontos de vista nacionalistas ganhem terreno mais uma vez".

"A paz que temos hoje, que nos pareceu em alguns momentos muito indiscutível, essa paz está longe de ser uma obviedade, e é preciso que lutemos por ela", destacou.

Já o secretário-geral da ONU, António Gueterres, fez alertas contra uma "engrenagem" geopolítica similar à que levou à Primeira Guerra Mundial e à dos anos 1930.

O presidente americano, Donald Trump, visitou na tarde deste domingo (11) o

Já Trump "prestou homenagem" aos "corajosos americanos" que morreram no conflito, em uma visita ao cemitério de Suresnes, de soldados dos Estados Unidos mortos em combate durante a Primeira Guerra Mundial.

"É nosso dever preservar a civilização que eles defenderam e manter a paz pela qual deram a vida há um século", afirmou o presidente americano.

 

As comemorações do centenário do armistício começaram cedo na Ásia e na Oceania.

Austrália, Nova Zelândia e Índia comemoraram o centenário do armistício da Grande Guerra, com atos emocionantes que lembraram os mais de 150 militares destes países que perderam a vida no conflito.

Junto com o presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, a primeira-ministra britânica, Theresa May, e o príncipe Charles, em representação da rainha Elizabeth II, assistiram a um ato com milhares de simpatizantes também em homenagem aos mortos.

Já a Polônia celebrou sua independência, recuperada após a guerra em 1918, depois de seu território permanecer dividido por 123 anos entre Rússia, Prússia e o Império austro-húngaro.

 

meb/pc/ra/tt/ll/cc