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Ex-fuzileiro naval mata 12 pessoas em bar na Califórnia

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O ex-fuzileiro naval Ian David Long, de 28 anos, abriu fogo na quarta-feira à noite (8), em um bar lotado perto de Los Angeles, matando 12 pessoas antes de morrer - informaram as autoridades locais.

"Seria prematuro especular sobre as motivações" do atirador, mas "nesta etapa não há indicios de que ele tenha tido um cúmplice, assegurou nesta quinta-feira o funcionário do FBI Paul Delacourt, durante uma coletiva de imprensa em Thousand Oaks.

"Seguiremos todas as pistas necessárias", prometeu Delacourt, que também informou que as provas coletadas na casa do suspeito e no Borderline Bar and Grill ainda não haviam sido analisadas.

Mais cedo, o xerife do condado de Ventura, Geoff Dean, também havia afirmado que não há "qualquer indício". "Não temos nenhuma ideia de suas motivações", declarou.

"Tivemos vários contatos com o sr. Long ao longo dos anos, eventos menores, uma colisão de tráfego", afirmou o xerife, lembrando que os policiais foram chamados à casa de Long por um distúrbio em abril deste ano.

Nessa ocasião, "eles (os policiais) discutiram com ele. Ele estava, de um certo modo, furioso".

"Ele agia de uma maneira irracional", completou. Segundo o xerife, especialistas disseram ter tido a impressão de que Long pudesse sofrer de estresse pós-traumático ligado a seus antecedentes militares.

O suspeito foi encontrado morto no local, na cidade de Thousand Oaks, a noroeste do centro de Los Angeles.

"Acreditamos que ele se matou", concluiu Dean, explicando que o agressor não está sendo contabilizado entre as vítimas.

Long entrou no Borderline Bar and Grill, onde acontecia uma festa de estudantes universitários, da qual participavam "várias centenas" de jovens, declarou o capitão Garo Kuredjian, do gabinete do xerife do condado de Ventura.

"Tem uma cena horrível ali. Tem sangue por todos os lados", disse o xerife à imprensa.

"Não temos ideia de se existe um vínculo terrorista, ou não. Nada me leva, eu ou o FBI, a pensar que tenha um vínculo terrorista", acrescentou.

Dean afirmou ainda que, entre as vítimas, estão 11 pessoas que estavam no bar e um policial que foi um dos primeiros a chegar ao local. Atingido várias vezes em sua entrada no bar, ele não resistiu aos ferimentos e faleceu algumas horas depois no hospital.

O número de feridos, levados para vários centros médicos da região, ainda não foi determinado, completou.

Várias testemunhas que se encontravam no local descreveram um "homem totalmente vestido de preto", "barbudo", com uma pistola de grosso calibre.

 

No local da tragédia, várias famílias procuravam notícias de parentes que estavam no interior do bar, caso de Jason Coffman, sem notícias do filho Cody, de 22 anos.

"A última vez que eu o vi, ele me disse 'tchau' e que foi para o Borderline", contou aos jornalistas, com a voz embargada.

Alguns minutos depois, Jason recebeu uma ligação telefônica e ficou aos prantos.

Uma testemunha não identificada citada pelo jornal "Los Angeles Times" indicou que o homem entrou no bar por volta das 23h30 locais e começou a atirar com uma "pistola preta".

"Atirou muito, pelo menos 30 vezes. Ainda ouvia os tiros quando todo o mundo havia deixado o bar", acrescentou.

Holden Harrah, um jovem de 20 anos, vai com frequência a esse estabelecimento.

"Eu vi o atirador. Ele estava vestido de preto, com óculos, camuflado. Ele sacou uma arma e começou a atirar", contou à AFP.

Matt Wennerstrom, um estudante de 20 anos, costumava frequentar o bar. Segundo ele, o atirador usou uma arma semiautomática. "Ele atirava tantas balas quanto ele conseguia e, enquanto ele recarregava, as pessoas tentavam fugir", relatou.

Outras testemunhas relataram que o agressor havia lançado uma bomba de fumaça.

Segundo uma testemunha, entrevistada pela rede CNN e em visível estado de choque, o atirador entrou pela porta principal do bar, disparou contra um segurança e depois contra uma mulher que recebia o público na entrada.

A maioria das testemunhas citadas pela imprensa americana eram estudantes universitários que descreveram cenas de pânico.

"Todo o mundo se jogou no chão rapidamente. Todo o mundo queria sair o mais rápido possível", disse à AFP uma jovem que escapou junto com uma amiga por uma janela da cozinha.

Trata-se do segundo tiroteio nos Estados Unidos em menos de duas semanas.

Há dez dias, 11 pessoas morreram em uma sinagoga na cidade de Pittsburgh, no pior ataque antissemita cometido nos Estados Unidos.

 

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