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Internacional

Interpol 'deve aceitar' demissão de seu ex-presidente chinês

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O secretário-geral da Interpol, Jürgen Stock, considerou nesta quinta-feira (8) que a organização não teria outra opção a não ser aceitar a demissão de seu ex-presidente chinês, acusado de corrupção por Pequim depois de ter desaparecido misteriosamente durante uma viagem à China.

"Foi uma situação difícil para a organização", reconheceu à imprensa o secretário-geral da organização policial mundial, com relação à demissão repentina de seu presidente, Meng Hongwei, em 7 de outubro.

A demissão foi anunciada depois que sua mulher alertou sobre o desaparecimento de seu marido há 11 dias na China.

No dia seguinte à renúncia de Meng, comunicada por e-mail à organização sediada em Lyon (leste da França), o ministério chinês de Segurança Pública havia anunciado que este "aceitou propinas e [era] suspeito de ter violado a lei", sem dar maiores detalhes.

Stock, que falou de acontecimentos "lamentáveis", explicou que a Interpol havia "exortado a China a fornecer-lhe mais detalhes e informações sobre o que ocorreu exatamente", e destacou que a organização devia transigir com a situação.

"Devemos aceitar, como faríamos com qualquer outro pais, que este país tome decisões soberanas e se este país no diz 'abrimos investigações, estão em curso, e o presidente se demite [...] então, devemos aceitar", declarou.

Perguntado sobre as informações recebidas de Pequim, Stock informou que só sabia que Meng estava atualmente na China e que os atos de corrupção não afetavam em nada suas atividades dentro da Interpol.

Quanto à demissão assinada por Meng, o secretário-geral disse que "não há motivos para suspeitar de algo forçado".

O sucessor de Meng será designado durante a assembleia-geral da Interpol, entre 18 e 21 de novembro em Dubai, e deverá terminar o mandato de quatro anos que Meng deveria concluir em 2020.

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