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Novas pistas sobre ossos encontrados na nunciatura de Roma

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A polícia italiana foi autorizada nesta sexta-feira(2)a investigar nos arquivos das propriedades do Vaticano em busca de pistas sobre os misteriosos ossos encontrados na embaixada da Santa Sé em Roma

Os restos humanos, provavelmente de duas pessoas diferentes, incluindo uma mulher, foram descobertos na segunda-feira(29)por funcionários que trabalhavam na remodelação da embaixada da Santa Sé na Itália.

Segundo a imprensa local, os ossos podem pertencer à esposa de um funcionário do Vaticano desaparecida nos anos 1960.

Esta teoria desmentiria a hipótese de que se trata da jovem Emanuela Orlandi, adolescente que desapareceu misteriosamente em 1983 em pleno centro de Roma.

Esse desaparecimento havia sido relacionado com hierarcas da Igreja, com a máfia e também com o turco Ali Agca, autor do atentado contra João Paulo II em 1981.

Mas os ossos poderiam ser da esposa de um guarda, lembrada pelo relacionamento conflitivo com o marido, que desapareceu da noite para o dia, segundo a imprensa italiana.

Os investigadores concentraram-se na documentação das obras e pessoas que viveram na sede da nunciatura, dados mantidos na sede do Apsa, o organismo do Vaticano encarregado dos imóveis da Igreja.

Enquanto a identidade dos ossos é cientificamente estabelecida por meio de testes de DNA, a imprensa italiana considerou várias outras hipóteses, incluindo a de que seria Mirella Gregori, outra garota desaparecida algumas semanas antes de Orlandi, que morava perto da nunciatura.

O procurador de Roma, Giuseppe Pignatone, decidiu manter discrição sobre este caso e abriu uma investigação sobre "homicídio contra desconhecidos".

Os detetives já fizeram vários interrogatórios e tentam explicar a descoberta de um cadáver em uma dependência "Villa Giorgina" no coração de Roma, doada ao Vaticano em 1949 por um empresário judeu, em reconhecimento pelo salvamento de muitos judeus durante a Segunda Guerra Mundial.

De acordo com as primeiras observações, os ossos pertencem a uma mulher de estatura mediana.

Várias coincidências provocaram preocupação e geraram todo tipo de especulações.

A família de Mirella Gregori morava no mesmo bairro da nunciatura e tinha um bar, o que desperta suspeitas.

De acordo com o jornal La Repubblica, um membro importante do grupo La Magliana, com ligações com a máfia siciliana, também morava perto da nunciatura.

O grupo foi vinculado ao caso de Emanuela Orlandi, depois que a amante do criminoso Enrico De Pedis denunciou que ele foi o autor do assassinato da jovem.

A amante afirmou na ocasião era uma encomenda do então poderoso monsenhor Paul Marcinkus, prelado americano responsável pelas finanças do Vaticano, falecido en 2006, e envolvido em vários escândalos, entre eles a falência daquele que já havia sido o maior banco do país, o banco Ambrosiano, de Roberto Calvi ("o banqueiro de Deus", assassinado em Londres em 1982).

Em 2012, a Procuradoria de Roma e o Vaticano autorizaram a abertura do túmulo de Enrico De Pedis, assassinado em 1990, em uma basílica de Roma, com o objetivo de procurar os restos mortais de Orlandi como afirmava a amante. Não foram encontrados.

O fato de Enrico De Pedis, um criminoso impiedoso, ter sido enterrado com todas as honras dentro de uma basílica provocou indignação nacional.

As autoridades descobriram que isto foi possível graças a um padre que ele conheceu na prisão e que, curiosamente, havia trabalhado na sede da nunciatura, onde esta semana foram encontrados os ossos.

Todos os elementos criam um grande quebra-cabeças e alimentam a esperança de várias famílias de conhecer a verdade 35 anos depois.

 

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