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Disputa à sucessão de Angela Merkel começa na Alemanha

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A disputa para substituir Angela Merkel à frente de seu partido conservador e possivelmente da Alemanha começou nesta terça-feira após o chocante anúncio da chanceler de sua retirada gradual do poder.

A briga se anuncia feroz e muitos agora duvidam da capacidade da chefe de Governo de permanecer por mais três anos no cargo, até o final de seu mandato.

"O reinado de Merkel está chegando ao fim", foi a manchete do Bild, o maior jornal da Alemanha. "A era de Merkel está chegando ao fim", repetiu o jornal Süddeutsche Zeitung.

No poder há 13 anos, Angela Merkel foi forçada na segunda-feira a iniciar sua retirada política depois de mais uma derrota eleitoral de seu partido em uma eleição regional em Hesse.

A votação confirmou o declínio da sua popularidade a nível nacional, em particular devido à sua política migratória.

Ela anunciou que seu atual mandato como chanceler, que termina em 2021, será o último e que renunciará em dezembro à presidência de seu partido democrata-cristão (CDU).

 

 

Este será um momento de risco político importante, porque poderá se ver enfraquecida tanto a nível nacional como europeu.

Assim resumiu o presidente da Câmara dos Deputados e ex-ministro da Chancelaria Wolfgang Schäuble: "A legislatura atual ainda tem que durar três anos. Vamos ver se este será o caso".

"Ela pode não estar tão forte como no auge de sua carreira, e isso é óbvio após os recentes resultados eleitorais", acrescentou. Neste contexto "quanto tempo Merkel ainda será capaz de aguentar?", questionou o semanário Der Spiegel.

"Quando o poder começa a escapar, pode evaporar muito rapidamente", acrescentou, duvidando da capacidade da chanceler de permanecer no poder até 2021.

A líder da primeira economia europeia dará um primeiro passo decisivo em pouco mais de um mês, quando passar a direção CDU.

 

 

Três candidatos já declararam internamente sua intenção de sucedê-la nesta posição considerada um passo em direção à Chancelaria.

Entre eles estão a secretária-geral do partido, Annegret Kramp-Karrenbauer, e o ministro da Saúde, Jens Spahn.

Outros poderiam seguir o mesmo caminho, como o líder da poderosa região da Renânia do Norte-Vestefália, Armin Laschet.

A chanceler insistiu que não tem um favorito. O novo presidente será eleito por um milhar de delegados reunidos em 7 e 8 de dezembro em Hamburgo.

Annegret Kramp-Karrenbauer, conhecida como "AKK", é apontada como a protegida de Angela Merkel. As duas mulheres compartilham uma linha política bastante centrista.

Partidário de uma guinada à direita, o ambicioso Jens Spahn, de 38 anos, é considerado o "líder da oposição interna".

Ele criticou em várias ocasiões a chanceler, particularmente em questões de imigração, desde a decisão histórica de Merkel de acolher um milhão de migrantes em 2015 e 2016. Mas ainda pode lhe faltar experiência aos olhos de alguns quadros.

Ex-estrela em ascensão do partido, Friedrich Merz, que mantém uma linha muito conservadora, também decidiu tentar a sorte, embora tenha deixado a cena política devido à sua rivalidade om Angela Merkel.

Para um dos caciques da CDU, o ministro-presidente da Saxônia, Michael Kretschmer, a saída de Angela Merkel é em qualquer caso "uma chance para um novo começo" do partido.

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