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Turquia continua a pressionar Arábia Saudita por caso de jornalista assassinado

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O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, voltou a pressionar Riad nesta terça-feira, exigindo que o procurador-geral da Arábia Saudita, que visitou o consulado saudita em Istambul, local do assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, identifique os mandantes do crime.

Saud bin Abdullah Al-Muajab visitou o consulado, onde permaneceu cerca de uma hora e meia, após se reunir com o procurador-geral da República em Istambul, Irfan Fidan, pela segunda vez em dois dias. Ele não fez uma declaração à imprensa.

Falando logo após a chegada do procurador no consulado, Erdogan pediu que ele determine "quem deu a ordem" para os assassinos de Jamal Khashoggi, cujo corpo não ainda foi encontrado, quase um mês depois de sua morte em 2 de outubro. Ele também considerou que era inútil tentar poupar alguém.

"Quem mandou estas 15 pessoas (suspeitas de matar Khashoggi)? Na condição de procurador-geral saudita, você deve questionar isso", disse Erdogan.

"Precisamos resolver esse caso. É inútil procrastinar. Não faz sentido tentar salvar algumas pessoas", acrescentou, evitando citar nomes.

O assassinato de Khashoggi, um jornalista saudita de 59 anos que escrevia para o Washington Post, provocou uma onda de críticas internacionais contra a monarquia e manchou a imagem de seu príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, conhecido como "MBS".

Sob pressão internacional, Riad finalmente reconheceu, após vários dias de negação, o assassinato do jornalista em seu consulado durante uma operação "não autorizada", mas apresentou várias versões contraditórias.

De acordo com o canal de televisão TRT Haber, o procurador saudita pediu a seu colega de Istambul na segunda-feira para compartilhar todos os elementos do processo de investigação turco, mas seu pedido foi rejeitado.

Ainda de acordo com a TRT Haber, o procurador turco questionou as autoridades sauditas sobre a localização do corpo de Khashoggi, que supostamente foi desmembrado pelos agentes sauditas.

O chefe da diplomacia turca, Mevlut Cavusoglu, declarou na segunda-feira que a investigação deve ser concluída "o mais rápido possível" e que "toda a verdade" deve ser revelada, lembrando que 18 suspeitos foram detidos por Riad.

O chanceler saudita Adel al-Jubeir, no entanto, rejeitou no sábado um pedido de extradição para os 18 suspeitos, justificando que eles serão julgados na Arábia Saudita.

O secretário americano da Defesa, Jim Mattis, disse no domingo que Riad assegurou que a investigação saudita seria "completa".

Mas a noiva turca de Khashoggi criticou a resposta do presidente Donald Trump ao assassinato, pedindo que ele não deixe o caso ser abafado.

"Estou extremamente desapontada com a atitude adotada até agora pelos líderes políticos de muitos países, começando pelos Estados Unidos", declarou Hatice Cengiz na segunda-feira à noite em Londres.

"O presidente Trump precisa ajudar a expor a verdade e a justiça. O presidente Trump não deve permitir que o assassinato do meu noivo seja abafado", ressaltou em um vídeo exibido pela imprensa britânica.

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