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Chanceler alemã prepara sua partida após derrota eleitoral

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Angela Merkel abriu caminho nesta segunda-feira para sua saída do poder, ao anunciar que seu atual mandato como chanceler será o último e renunciar à presidência de seu partido, consequências de mais uma derrota eleitoral na Alemanha.

"Hoje é o momento de abrir um novo capítulo", declarou Merkel, visivelmente comovida, em uma coletiva de imprensa em Berlim, confirmando informações que vazaram na imprensa.

Seu atual mandato de chanceler, o quarto desde que assumiu o poder em 2005, será "o último", disse ela. Até o fim estabelecido em 2021, ela também garantiu que não tem a intenção de iniciar uma carreira nas instituições europeias, como alguns meios de comunicação alemães evocaram.

Resumindo: encerrará sua carreira política.

Da mesma forma, em vista de um congresso de seu partido CDU em dezembro, ela afirmou que deixará sua presidência, que ocupa há 18 anos. Uma maneira de preparar a sua sucessão.

 

"Não é mais possível agir como se nada tivesse acontecido" após a eleição regional de domingo em Hesse, que foi um teste de popularidade nacional. Seu partido democrata-cristão, apesar de ter chegado em primeiro com 27%, perdeu mais de onze pontos em relação à eleição anterior.

Há duas semanas, o campo conservador já havia registrado um resultado muito decepcionante em outra eleição regional, na Bavária, enquanto a extrema direita antimigrantes, de um lado, e os ambientalistas, de outro, avançaram.

Angela Merkel tornou-se alvo de críticas crescentes devidas, em parte, à sua decisão de abrir as portas do país a mais de um milhão de requerentes de asilo em 2015 e de 2016.

Ao mesmo tempo, justificou seu desejo de ir até o final de seu atual mandato em 2021 pela necessidade de mostrar "responsabilidade" à frente do país, em um clima global e doméstico agitado.

Este fim de mandato, no entanto, deverá ser complicado.

Ao anunciar a sua saída em dois anos, o mais tardar, corre o risco de sofrer uma perda de credibilidade internacional, especialmente na Europa, num momento em que a União Europeia atravessa uma crise.

Esse também será o caso internamente, com a chegada de uma nova personalidade à frente de seu próprio partido, o que poderia favorecer um curso político diferente.

A este respeito, Merkel afirmou que não escolherá um sucessor no congresso do partido em dezembro. A competição promete ser dura entre os defensores de uma linha moderada e aqueles que pedem uma guinada conservadora diante da extrema direita.

A atual secretária-geral do partido, Annegret Kramp-Karrenbauer, e dois "rebeldes" que defendem essa guinada à direita, o ministro da Saúde Jens Spahn e Friderich Merz, já estão na disputa.

Merkel recebeu uma ovação de pé da liderança de seu partido depois de seus anúncios. Mas o líder do partido em Hesse, Volker Bouffier, não pôde evitar dizer que a decisão de Merkel de começar a se retirar era "a certa".

A chanceler está enfraquecida politicamente desde o início de seu mandato em março. Com enorme dificuldade conseguiu constituir um governo de coalizão com os social-democratas.

Uma consequência das eleições legislativas de 2017, marcadas pelo avanço da extrema direita da Alternativa para a Alemanha (AfD), que dinamitou o mundo político alemão.

Este movimento comemorou o início da retirada de Angela Merkel.

Outra grande fonte de dificuldades para a chanceler é o futuro de seu governo de coalizão, devido às dificuldades políticas ainda maiores de seu aliado social-democrata.

O SPD sofreu grandes perdas nas eleições em Hesse, perdendo cerca de dez pontos, a 19,8%.

A presidente do SPD, Andrea Nahles, ameaçou deixar o governo por falta de garantias sobre um catálogo de medidas que o partido quer adotar rapidamente contra o aquecimento global ou o aumento dos aluguéis.

A própria Merkel reconheceu que sua coalizão passava uma imagem "inaceitável" à opinião pública. Em questão: os conflitos permanentes com a ala à direita de seu campo na política de migração.

 

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