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Pentágono alerta Riad que caso Khashoggi afeta a segurança na região

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O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Jim Mattis, alertou a Arábia Saudita que o assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi "deve preocupar a todos", já que afeta a segurança na região e confiança e respeito dos Estados Unidos em seu aliado saudita.

Jim Mattis, que fez essas declarações durante uma conferência sobre segurança regional no Bahrein, na fronteira com o reino saudita, disse que "quando as vozes da oposição podem se fazer ouvir", uma "nação se torna mais segura".

"Se levarmos em conta que a paz e um compromisso inabalável com os direitos humanos são parte de nosso interesse coletivo, o assassinato de Jamal Khashoggi em uma sede diplomática deve preocupar todos nós", disse Mattis durante o Diálogo de Manama, a conferência de segurança organizada pelo IISS (Instituto Internacional de Estudos Estratégicos) de Londres.

"Quando uma nação deixa de respeitar as normas internacionais e a lei, ela enfraquece a estabilidade regional no momento em que ela é mais necessária", acrescentou o chefe do Pentágono, que, até agora, se mostrou muito discreto sobre o caso, ao contrário do que aconteceu com o presidente Donald Trump e o chefe da diplomacia americana Mike Pompeo.

Insistindo na "gravidade da situação", Mattis lembrou que os Estados Unidos revogaram os vistos de vários suspeitos e que seriam necessárias "outras medidas à medida que a situação se tornasse mais clara".

"Mas com nosso respeito deve vir a transparência e a confiança", advertiu ele. "Esses dois princípios são vitais para garantir a continuação da nossa colaboração", acrescentou.

Jim Mattis também pediu aos países do Golfo que intervenham militarmente no Iêmen para iniciar as negociações de paz a partir de novembro, para tentar pôr fim ao conflito que deixou de acordo com a ONU cerca de 10 mil mortos.

A Arábia Saudita intervém há três anos no Iêmen à frente de uma coalizão militar em apoio às forças do governo contra os rebeldes huthi apoiados pelo Irã.

 

Adel al Jubeir, pressionado pela investigação do assassinato de Khashoggi e seu impacto na influência diplomática do reino saudita no mundo, denunciou "a histeria na mídia quando a investigação ainda não terminou".

Ele também anunciou que os suspeitos do assassinato de Khashoggi, para os quais a Turquia pediu a extradição, serão "julgados na Arábia Saudita".

"Sobre a questão da extradição, esses indivíduos são cidadãos sauditas, eles estão detidos na Arábia Saudita e a investigação será conduzida na Arábia Saudita, e eles serão julgados na Arábia Saudita", disse Al Jubeir, em referência ao pedido da promotoria de Istambul para a extradição de 18 cidadãos sauditas detidos em seu país e suspeitos de estarem "envolvidos neste assassinato premeditado".

O caso Khashoggi dominou os debates na conferência de Manama, na qual participaram o ministro das Relações Exteriores saudita, Adel al Jubeir, juntamente com líderes do Golfo, diplomatas europeus e asiáticos e especialistas.

Jamal Khashoggi, um crítico do poderoso príncipe herdeiro saudita Mohamed bin Salman, foi assassinado em 2 de outubro no consulado saudita em Istambul.

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