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Exército israelense acusa a Síria de ordenar disparos de Gaza contra Israel

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O Exército israelense acusou neste sábado a Síria de ordenar o lançamento de foguetes de Gaza contra Israel com o apoio do Irã, aliado ao poder de Damasco, e prometeu que sua resposta "não terá limites geográficos".

Pouco depois, o grupo palestino radical Jihad Islâmica anunciou uma trégua imediata de disparos foguetes da Faixa de Gaza contra Israel, depois de uma "mediação egípcia".

"Um acordo total de cessar-fogo foi concluído após intensos contatos realizados pelo Egito e deve entrar em vigor imediatamente em troca do cessar da agressão israelense", disse o porta-voz da Jihad Islâmica, Daud Shihab, à AFP. Nem Israel nem o Egito comentaram ainda o anúncio.

A Faixa de Gaza e o sul de Israel, que cercam este território, viveram uma nova escalada de violência entre sexta e sábado pela manhã.

Na sexta-feira, seis palestinos foram mortos na Faixa de Gaza durante um novo dia de manifestações e confrontos com soldados israelenses.

Depois, cerca de 40 foguetes foram disparados de Gaza contra Israel, que respondeu com dezenas de bombardeios aéreos sobre o território palestino.

Este aumento da violência coincidente com as atuais conversações indiretas, com ajuda do Egito, para tentar reduzir a tensão entre Israel e a Faixa de Gaza, governada pelo movimento islamita Hamas e que está à beira do colapso pela escassez que atinge a população pelo rígido bloqueio israelense, segundo a ONU.

 

"O foguete disparado durante a noite contra Israel foi uma ordem de Damasco, com claro envolvimento da Guarda Revolucionária", declarou o porta-voz do exército, Jonathan Conricus, referindo-se à força de elite do Irã.

Ele acrescentou que a resposta de Israel "não terá limites geográficos".

Israel não mantém relações diplomáticas com a Síria ou o Irã, que considera seu inimigo na região. Teerã é um dos aliados mais próximos do regime de Bashar al-Assad no conflito sírio, e Israel denuncia repetidamente sua presença neste país.

O Estado hebreu já realizou ataques na Síria, contra alvos sírios e contra o Hezbollah libanês, apoiado pelo Irã.

Os foguetes disparados contra Israel não causaram mortes ou feridos, segundo o exército israelense. O sistema israelense de defesa aérea Iron Dome interceptou 17 desses foguetes e outros caíram no campo.

Como o porta-voz do Exército israelense disse à imprensa, a resposta israelense "não terá limites geográficos" poucas horas depois de a aviação bombardear "90 alvos do Hamas" em Gaza e oito da Jihad Islâmica.

Embora o Hamas não tenha reivindicado o disparo dos foguetes, Israel culpa o movimento islâmico por todos os tiros disparados do enclave, levando em conta que ele governa o território.

Nove pessoas foram feridas por esses ataques israelenses, de acordo com o Ministério da Saúde Gazatí. Um prédio de quatro andares foi destruído, segundo os correspondentes da AFP.

Seis palestinos morreram durante as manifestações que acontecem toda sexta-feira durante vários meses ao longo da cerca de segurança que separa Israel e o enclave palestino.

Cinco foram mortos por disparos do exército israelense, segundo o Ministério da Saúde de Gaza e um foi morto pela explosão de uma granada que carregava.

Pelo menos 213 palestinos morreram desde o início das manifestações, segundo uma contagem da AFP. Um atirador palestino matou um soldado israelense durante o mesmo período.

 

 

Os manifestantes estão exigindo o que chamam de "direito de retorno" dos refugiados palestinos e o levantamento do bloqueio imposto por Israel em Gaza. O governo israelense acusa o Hamas, considerado uma organização terrorista por grande parte da comunidade internacional, de orquestrar essas manifestações.

Israel e Hamas travaram três guerras desde 2008.

O Egito, na fronteira com a Faixa de Gaza, e a ONU patrocinam negociações indiretas entre o Hamas e Israel para tentar impedir que um novo conflito aberto se estenda.

O jornal pan-árabe Al Hayat disse na sexta-feira que um acordo foi alcançado, sob o qual as manifestações cessariam em troca de um alívio do bloqueio israelense.

Autoridades do Hamas negaram esse acordo, mas confirmaram à AFP que houve progresso neste sentido.

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