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Cesar Sayoc, o apoiador de Trump suspeito de enviar bombas pelo correio

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Cesar Sayoc, o homem da Flórida suspeito de enviar bombas caseiras a pessoas críticas de Donald Trump, é um fervoroso apoiador do presidente republicano com um intenso ódio aos democratas.

Sayoc, de 56 anos e morador de Aventura, ao norte de Miami, foi preso nesta sexta-feira (26) em conexão com os artefatos explosivos enviados por correio para personalidades democratas conhecidas e ex-funcionários de alto escalão, declarou o diretor do FBI (a Polícia Federal americana), Christopher Wray.

Sayoc já havia sido preso várias vezes. Entre outros casos, em 2002 foi acusado de emitir uma falsa ameaça de bomba, de acordo com documentos judiciais do condado de Miami-Dade. Foi sentenciado a um ano de liberdade provisória.

Conhecido também como Cesar Altieri, tem um longo histórico de problemas financeiros. Os documentos judiciais mostram que se declarou em falência em 2012.

A tendência política de Sayoc é evidente em suas redes sociais e em sua caminhonete, que foi apreendida, cujas janelas estavam cobertas com adesivos pró-Trump e contra os democratas e a imprensa.

Particularmente, havia imagens ofensivas contra o ex-presidente Barack Obama e a ex-candidata à presidência Hillary Clinton, assim como um adesivo que dizia "CNN fede".

Uma foto dele em sua página do Facebook o mostra usando o boné com o lema de campanha de Trump, "Make America Great Again" (Fazer a América grande de novo).

Obama, Hillary e a CNN foram destinatários de algumas das bombas caseiras enviadas por correio e com um endereço da Flórida como remetente.

Aparentemente, Sayoc tinha ao menos duas contas no Twitter, @hardrock2016 e @hardrockintlent, nas quais escrevia como Cesar Altieri e como "Julus Cesar Milan".

 

O último tuíte da conta de @hardrock2016 de Sayoc é de quarta-feira.

Nela, retuitou uma imagem retocada na qual afirma que Andrew Gillum, candidato democrata ao governo da Flórida, "admitiu" que havia recebido dinheiro do bilionário George Soros.

Soros, um proeminente patrocinador de causas progressistas, também foi alvo de um dos artefatos explosivos.

Este tuíte é um dos muitos comentários contra Gillum e outros democratas, entre eles a representante da Califórnia Maxine Waters e o senador de Nova Jersey Cory Booker, ambos também destinatários de pacotes com bombas.

Além disso, nos tuítes nos quais ataca a congressista democrata Debbie Wasserman Schultz - cujo endereço aparecia como remetente dos envelopes - Sayoc cometia o mesmo erro tipográfico que aparece nos envelopes: "Shultz".

Em um comentário de junho, desejava feliz aniversário a Trump: "Obrigado por tudo o que você faz contra todos e por nunca parar. Siga em frente e construa o muro".

Sayoc se descreve em um de seus perfis no Twitter como um ex-jogador de futebol profissional, lutador e lutador de MMA.

No LinkedIn, Sayoc afirma ter estudado no Brevard College, na Carolina do Norte, e na Universidade da Carolina do Norte, em Charlotte, e ter feito Medicina Veterinária.

"A decisão de me tornar veterinário de cavalos sempre foi por amor aos animais, que estavam aqui primeiro e nunca fazem nada a ninguém", diz a sua biografia no LinkedIn. "E respeitam todos os seres vivos", acrescenta.

Sayoc faz várias referências à tribo Seminole em sua conta, mas em seu perfil no LinkedIn menciona ancestrais filipinos. Diz que seu avô era um cirurgião proeminente nas Filipinas.

Afirma ter trabalhado para o Hotel e Cassino Hard Rock Seminole em Hollywood, Flórida, mas tanto o hotel quanto a tribo Seminole alegam não ter nenhuma evidência de que ele tenha trabalhado lá ou fosse membro da tribo.

 

Debra Gureghian, gerente-geral de uma pizzaria em Fort Lauderdale onde Sayoc trabalhou como motorista de caminhão de entrega durante vários meses, o descreveu no Washington Post como "louco".

"Essa é a melhor palavra para ele", disse Gureghian.

"Havia algo realmente ruim nele". "Estava muito irritado com o mundo, com os negros, os judeus, os gays", contou.

"Nunca disse que os mataria, ou os bombardearia, simplesmente disse: 'Se eu tivesse completa autonomia sobre os gays, negros e judeus, eles não sobreviveriam'", declarou. "Era muito, muito estranho".

A imprensa americana informou que Sayoc em certa época atuou como stripper, e o New York Daily News - citando um promotor de eventos - revelou que ele pretendia dançar em clubes de strippers com um espetáculo chamado "Girls Night Out".

 

 



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