Di Maio critica presidente do BCE após fala sobre orçamento

Mario Draghi disse que manobra repercutirá na economia do país

O vice-primeiro-ministro da Itália, Luigi Di Maio, fez dura crítica contra as declarações do presidente do Banco Central Europeu (BCE), o italiano Mario Draghi, nas quais disse que o agravamento do risco da dívida do "país da bota" terá efeitos na economia.

"Na minha opinião, estamos em um momento em que temos que alegrar a Itália e estou surpreso que um italiano se coloque dessa maneira para envenenar ainda mais o clima", declarou Di Maio durante entrevista à RAI. Ontem (25), após o BCE manter suas taxas de juros inalteradas, Draghi afirmou que com os rendimentos dos bônus soberanos italianos subindo, o espaço para expansão fiscal no país "fica menor".

Questionado sobre a crise entre o governo italiano e a Comissão Europeia, Draghi ainda considerou que a divergência se centra no terreno orçamental, o que não está no mandato do BCE. "A guardiã das regras é a Comissão, não é o BCE", acrescentou.

"É estranho que, neste momento, eu veja alguns ministros de outros países, como os alemães, tendo mais respeito pelo que estamos fazendo do que o chefe do BCE que vem dizer que o clima de tensão na Itália é um problema", rebateu o líder do Movimento 5 Estrelas (M5S).

No entanto, Di Maio enfatizou que "Draghi pode dizer o que quer", porque ele não é ninguém para censurar o que o presidente do BCE diz.

Na última semana, Draghi já havia dito que as regras orçamentárias da UE e o Pacto de Estabilidade e Crescimento devem ser respeitados pelo interesse de todos. Apesar de não citar diretamente a Itália, ficou claro que ele estava se referindo ao projeto de Roma de elevar os empréstimos para financiar as promessas eleitorais.

Por sua vez, o vice-premier fez questão de ressaltar que "apoiar os bancos não significa tirar dinheiro dos italianos". A Itália abriu uma nova frente de batalha com a União Europeia por causa de sua lei orçamentária para 2019, que tem sido fortemente criticada pelo bloco, pois pode aumentar o rombo fiscal em um dos países mais endividados do mundo. Como consequência, a Comissão Europeia rejeitou a chamada "manobra econômica" e exigiu retificações no texto.