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Pacotes com explosivos enviados a democratas proeminentes e CNN

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Pacotes com explosivos foram enviados na quarta-feira (24) ao ex-presidente Barack Obama, a outros democratas proeminentes e à emissora CNN - alvo do ódio de apoiadores do presidente Donald Trump -, inflamando um país já dominado pela polarização política e gerando críticas que acusam o chefe de Estado de incentivar a violência.

A ex-secretária de Estado e adversária de Trump na corrida pela Casa Branca em 2016, Hillary Clinton, foi uma das destinatárias dos pacotes, enviados às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato de 6 de novembro, consideradas um referendo sobre a Presidência.

A CNN é conhecida pela cobertura abrangente da administração Trump e por constantemente provocar a ira do presidente, que sucedeu Obama e derrotou Hillary. Cartazes em atos de seus simpatizantes costumam condenar a emissora.

A onda de alertas de bomba começou na segunda-feira, depois que um dispositivo foi encontrado na residência em Nova York do bilionário e filantropo liberal George Soros, financiador do Partido Democrata. "Até o momento os dispositivos são o que parecem bombas caseiras montadas em tubos", disse o agente do FBI Bryan Paarmann.

"Se é uma pessoa ou uma rede, realmente não tenho certeza neste momento", declarou o chefe da Polícia de Nova York, James O'Neill, à CNN, afirmando esperar que o responsável seja identificado e detido nos próximos dias.

Pelo menos seis pacotes suspeitos foram enviados em Nova York, Washington e Flórida, inclusive para renomados afro-americanos democratas: o ex-procurador-geral do governo Obama, Eric Holder, e a legisladora pela Califórnia Maxine Waters.

Foram enviados em envelopes pardos forrados com plástico-bolha, com os endereços em etiquetas impressas por computador. Cada um deles tinha como destinatária Debbie Wasserman Schultz, ex-presidente do Comitê Nacional Democrata.

O presidente Trump afirmou na quarta-feira à noite que "qualquer ato ou ameaça de violência política é um ataque contra a própria democracia".

Também pediu unidade ao país, afirmando que "atos de violência política não têm lugar nos Estados Unidos".

Donald Trump também pediu que a mídia pare com a "hostilidade sem fim" e com os "ataques falsos" em comentários sobre as bombas. Falando a apoiadores em um comício de campanha em Mosinee, Wisconsin, o presidente dos Estados Unidos disse que figuras públicas tinham o dever de suavizar sua retórica.

"Ninguém deve comparar adversários políticos a vilões históricos, o que é feito, é feito o tempo todo", disse ele. "A mídia também tem a responsabilidade de definir um tom de civilidade e parar a hostilidade sem fim e constantes ataques e histórias negativas e muitas vezes falsas", acrescentou. "Tem que fazer isso. Eles têm que parar".

No Twitter, a hashtag #MAGABomber virou 'trending topic' nos Estados Unidos, à medida que os usuários inundaram a rede social com acusações de que Trump incitou as tentativas de ataque e destacando as declarações tóxicas que ele fez no passado contra os alvos dos pacotes.

Críticos liberais e de orientação esquerdista denunciaram sua Presidência, marcada pelo slogan, "Make America Great Again" (Fazer a América grande de novo), de encorajar extremistas de direita. Ele endossou a agressão de um repórter e denuncia a imprensa crítica de produzir notícias falsas.

"Há uma completa e total falta de compreensão da Casa Branca sobre a seriedade de seus ataques continuados na mídia", disse o presidente da CNN, Jeff Zucker.

"As palavras importam. Até agora, eles não demonstraram ter entendido isso", acrescentou.

A CNN precisou evacuar sua sede em Nova York, nesta quarta-feira, depois que um suposto explosivo foi encontrado na sala de correspondência, juntamente com um envelope contendo um pó branco. Um esquadrão antibombas neutralizou o dispositivo e o enviou para análise, informou a Polícia.

O pacote à CNN destinava-se ao ex-diretor da CIA, John Brennan, que apareceu na emissora como um convidado e talvez seja o crítico mais ferrenho de Trump na comunidade de segurança nacional.

O Serviço Secreto interceptou o pacote endereçado na terça-feira a Hillary na casa onde ela vive com o marido, o ex-presidente Bill Clinton, no norte de Manhattan, e um segundo pacote destinado à casa de Obama, em Washington, nesta quarta.

Ninguém assumiu a responsabilidade pelos envios e até o momento ninguém foi detido.

Hillary Clinton, que se manteve como uma força política, apesar de sua surpreendente derrota para Trump em 2016, manifestou preocupação com o que ela denominou de um "momento inquietante" no país.

"É um tempo de profundas divisões e temos que fazer tudo o que pudermos para unir nosso país", disse.

Os líderes democratas no Congresso Nancy Pelosi e Chuck Schumer acusaram Trump de consentir a "violência física e dividir os americanos".

Em Nova York, o prefeito Bill de Blasio condenou o que chamou de "esforço para aterrorizar" e apelou a todas as autoridades eleitas, de alto a baixo, para se absterem de encorajar a violência.

"Infelizmente, este clima de ódio está influenciando as escolhas que as pessoas estão fazendo", disse.

O Serviço Secreto informou que os pacotes foram "identificados imediatamente durante procedimentos de rotina de varredura de correspondência" e que nem Hillary, nem Obama correram o risco de recebê-los.

Legisladores republicanos seguiram a Casa Branca e também condenaram o incidente.

O líder republicano Mitch McConnell condenou o que chamou de "tentativas de terrorismo doméstico".

Soros, alvo do primeiro dispositivo, se tornou um alvo favorito de grupos de direita que criticam seu apoio a causas progressistas.

No início de outubro, Trump o acusou de pagar a manifestantes para protestar contra a recente nomeação à Suprema Corte do juiz Brett Kavanaugh, acusado de tentativa de estupro.



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