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HRW denuncia maus-tratos sistemáticos nas prisões palestinas

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As forças de segurança palestinas infligem de maneira "sistemática" maus-tratos e tortura que poderiam constituir crimes contra a humanidade, indica um relatório da ONG Human Rights Watch (HRW) publicado nesta terça-feira.

A Autoridade Palestina, que governa partes da Cisjordânia ocupada, e seu rival islamita do Hamas, que controla a Faixa de Gaza, utilizam a violência, as ameaças e as detenções arbitrárias, afirma a HRW.

A ONG investigou durante dois anos o tema, entrevistou 150 pessoas e reuniu documentação sobre 86 casos concretos.

De acordo com Omar Shakir, diretor do escritório da HRW para Israel e os territórios palestinos, os fatos podem ser assimilados a crimes contra a humanidade e poderiam ser levados ao Tribunal Penal Internacional (TPI).

"Os dirigentes palestinos discursam pelo mundo sobre os direitos dos palestinos e, ao mesmo tempo, colocam em prática uma máquina opressiva para destruir a dissidência", declarou à AFP.

Shakir pediu aos países ocidentais que suspendam temporariamente a ajuda à Autoridade Palestina. O Hamas já está muito isolado internacionalmente: o governo dos Estados Unidos e a União Europeia o consideram uma organização terrorista.

Ao ser questionada pela AFP, a Autoridade Palestina negou as acusações da HRW e acusou a ONG de aliança com a administração do presidente americano Donald Trump. O Hamas não respondeu ao pedido de comentários.

"Este relatório confunde política e direitos humanos e está relacionado com o 'acordo do século', que tem como objetivo enfraquecer a Autoridade Palestina", denunciou Haitham Arar, diretor para Direitos Humanos do ministério do Interior da Autoridade Palestina.

O 'acordo do século' é uma referência ao plano de paz do governo Trump, aguardado há vários meses.

Os métodos utilizados durante as detenções incluem agressões e choques elétricos, segundo a HRW.

Este foi o caso de Sami Al Sai, um jornalista de 39 anos, suspeito de ter contatos com o Hamas e que foi detido em 2017, agredido e pendurado pelos pulsos com algemas, segundo o relatório.

 



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