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Bolton se reúne com chanceler russo para explicar retirada dos EUA de tratado nuclear

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O conselheiro da Casa Branca para a Segurança Nacional, John Bolton, se reuniu nesta segunda-feira em Moscou com o chanceler russo, Serguei Lavrov, depois que Washington anunciou a intenção de abandonar um tratado sobre armas nucleares de médio alcance.

O presidente americano, Donald Trump, comunicou no sábado sua decisão em relação ao tratado de armas nucleares de médio alcance INF (Intermediate Nuclear Forces Treaty).

Bolton abordou a questão do tratado com Lavrov e passou "cerca de cinco horas" com Nikolái Patrushev, o chefe do Conselho Russo de Segurança Nacional, revelou um porta-voz do Conselho.

As autoridades russas insistiram que Moscou não viola o tratado, explicou Bolton após o encontro.

"A Rússia comunicou de forma muito firme que não achava estar violando o tratado INF", disse Bolton em uma entrevista para o jornal russo Kommersant. "De fato, disseram: são vocês que violam o tratado".

Você não pode se forçar a obedecer a alguém que acha que não é sua culpa ", acrescentou, afirmando que o tratado foi passado.

"A retirada do tratado não é a causa do problema, o problema é o fato de a Rússia não respeitar o tratado", assegurou. Os Estados Unidos não querem ser o único país a respeitá-lo, disse, mencionando "uma ameaça muito real" por parte da China.

Bolton e Lavrov também falaram da possibilidade de prolongar por cinco anos o tratado New Start sobre os mísseis estratégicos, que expira em 2021, segundo o Conselho de Segurança russo. O conselheiro da Casa Branca declarou a Kommersant que Washington queria "resolver primeiro o problema do INF".

Segundo o ministério russo de Relações Exteriores, Bolton e Lavrov abordaram também a cooperação bilateral, a luta contra o terrorismo e a "forma de manter a estabilidade estratégica".

Bolton também se reunirá nesta terça-feira com o presidente Vladimir Putin, segundo o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

Embora o anúncio dos Estados Unidos levante temores sobre o retorno da proliferação nuclear, Peskov afirmou nesta segunda-feira que a Rússia "nunca atacará ninguém primeiro".

Bolton é conhecido por suas duras posições em política externa. No passado, ele defendeu a queda do regime iraniano e foi um dos que mais fomentaram a "saída do acordo iraniano" assinado em 2015 por várias potencias com Teerã para evitar que desenvolverá a arma nuclear.

Nomeado em março de 2018, Bolton nunca escondeu sua convicção de que Washington deve atacar militarmente a Coreia do Norte em vez de negociar com o regime, também defende sanções mais amplas contra a Rússia, acusada por Washington de tentar perturbar o processo eleitoral americano.

 

Segundo o jornal britânico The Guardian, foi John Bolton que pressionou o presidente americano para a saída do INF. Ele também estaria bloqueando as negociações para uma ampliação do tratado New Start.

O tratado INF foi assinado em 1987, ao final da Guerra Fria, pelo último líder da União Soviética, Mikhaïl Gorbatchev, e o presidente americano da época, Ronald Reagan.

O governo de Trump se queixa da implantação por parte de Moscou do sistema de mísseis 9M729, cujo alcance, segundo os Estados Unidos, supera os 500 km, violando assim o texto do INF.

O tratado INF, que suprime o uso de toda uma série de mísseis com alcance entre 500 e 5.000 km, encerrou uma crise iniciada nos anos 1980 pela instalação dos SS-20 soviéticos com ogivas nucleares na Europa oriental, e mísseis americanos Pershing na Europa ocidental.

Alguns observadores afirmam que a medida americana pode estar sendo motivada por uma suposta ameaça chinesa. Pequim não faz parte do acordo INF, e por isso pode desenvolver sem barreiras armas nucleares de alcance intermediário.

As reações internacionais foram unânimes na hora de pedir para os Estados Unidos não abandonarem o tratado INF. A União Europeia considerou nesta segunda-feira que Washington e Moscou "devem prosseguir com um diálogo construtivo para preservar o tratado", que classificou de "crucial para a UE e a segurança mundial".

Pequim, por sua vez, afirmou que Washington deveria "pensar duas vezes" antes de decidir sobre a retirada.

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