Senadores pressionam Trump sobre justificativa saudita para morte de jornalista

Uma divisão emergiu neste sábado após a aceitação inicial do presidente dos EUA, Donald Trump, da resposta da Arábia Saudita sobre o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi. Senadores republicanos e democratas pressionaram por sanções e defenderam que o governo norte-americano faça sua própria investigação.

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Presidente dos Estados Unidos Donald Trump (Foto: NICHOLAS KAMM / AFP)

"A história que os sauditas contaram sobre o desaparecimento de Jamal Khashoggi continua a mudar a cada dia, por isso não devemos supor que a última história deles tenha crédito", disse o senador republicano Bob Corker, que preside o Comitê de Relações Exteriores do Senado. "Eles podem avançar por sua própria investigação, mas a administração dos EUA deve buscar sua própria e independente determinação de responsabilidade pelo assassinato de Khashoggi".

O senador republicano Lindsey Graham questionou a resposta saudita de maneira ainda mais firme. "Dizer que sou cético em relação à nova narrativa saudita sobre Khashoggi é um eufemismo", afirmou, em sua conta no Twitter. "É difícil encontrar esta última 'explicação' como crível."

Os democratas criticaram o governo Trump por não aplicar mais pressão à família real saudita. "Se alguma vez uma história cheira a encobrimento é essa", disse o senador Patrick Leahy. "Nosso país não deve ser cúmplice disso."

Os sauditas disseram nesta sexta-feira que Khashoggi, um crítico do governo que vivia nos EUA, morreu após uma briga no consulado da Arábia Saudita em Istambul, em 2 de outubro. Khashoggi estava no consulado para documentos relacionados ao casamento. A declaração saudita disse que 18 cidadãos sauditas estão detidos até os resultados finais de uma investigação.

Anteriormente, os sauditas haviam dito que Khashoggi deixou seu consulado vivo e que a Arábia Saudita compartilhava a preocupação com seu bem-estar. Lutou vigorosamente contra as afirmações da Turquia de que o jornalista havia sido morto nas instalações da Arábia Saudita.

A recepção cética dos legisladores sobre a nova narrativa contrastou com o tom mais tolerante de Trump, sugerindo que pode haver um confronto sobre como lidar com os sauditas, agora que eles atribuíram a morte de Khashoggi a uma briga seguida de um encobrimento, isentando o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman.

Trump disse na noite de sexta-feira que o assassinato foi "inaceitável", mas considerou a resposta saudita crível e "um grande primeiro passo". Durante um evento no Arizona, ele ressaltou que a Arábia Saudita é uma aliada e que ele não queria desfazer acordos de armas lucrativos.

O presidente norte-americano viajou neste sábado a Nevada para um comício em Elko. Falando com repórteres após o evento, Trump disse que é possível que o príncipe herdeiro não soubesse sobre o assassinato, e que ele ainda estava tentando falar com ele. "Não estou satisfeito até encontrarmos a resposta", disse, acrescentando que consideraria as sanções, mas não as vendas militares. "Isso nos machucaria muito mais do que a eles."

Fonte: Associated Press

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