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Internacional

Prefeito italiano que ajuda migrantes é libertado

No entanto, "Mimmo" Lucano foi impedido de entrar em sua cidade

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Um tribunal de Reggio Calabria revogou nesta terça-feira (16) a prisão domiciliar do prefeito de Riace, Domenico "Mimmo" Lucano, mas ordenou que ele se afaste da cidade, que é símbolo de integração bem-sucedida de migrantes e refugiados na Itália.

 

Lucano é investigado por suspeita de ter facilitado casamentos forjados para garantir a permanência no país de migrantes em situação irregular. O Ministério do Interior, chefiado pelo ultranacionalista Matteo Salvini, ainda o acusa de irregularidades no uso de recursos nacionais para financiar projetos de acolhimento.

 

O prefeito deixou Riace pouco depois das 6h da manhã desta quarta-feira (17), mas ainda não sabe para onde vai. "Devo ainda encontrar uma casa, mas tenho amigos que estão me ajudando.

Tenho no carro meus objetos pessoais e alguns livros, se precisar de alguma coisa, minha filha trará", disse Lucano à ANSA.

 

"Lamento muito ser obrigado a deixar Riace, uma cidade à qual dei minha alma e onde contribui para salvá-la do despovoamento e do abandono ao hospedar migrantes", acrescentou. O vilarejo fica na região da Calábria e tem 2,3 mil habitantes.

 

Lucano, hoje suspenso, governa Riace desde 2004 e ganhou fama internacional por seus projetos de acolhimento de migrantes e refugiados. Suas ações o fizeram entrar, em 2016, na lista dos 50 maiores "líderes" do mundo da revista "Fortune".

 

Em seus mandatos, ofereceu casas abandonadas e treinamento profissional a estrangeiros, além de uma "bolsa trabalho", ajudando a recuperar a economia de Riace, afetada pelo esvaziamento populacional que atinge muitos vilarejos italianos.

 

Esses projetos, no entanto, correm o risco de desaparecer por causa do bloqueio de repasses imposto pelo Ministério do Interior, que ainda não enviou recursos para a cidade em 2018.

 

"Se um juiz diz que ele não pode pisar na própria cidade, evidentemente Lucano não é um herói dos tempos modernos", ironizou Salvini.

 

O ministro diz que deseja apenas que a Prefeitura de Riace comprove todos os gastos efetuados com recursos nacionais, "visto que se trata de dinheiro público". Ele ainda alega que o inquérito foi aberto por seu antecessor, Marco Minniti, do centro-esquerdista Partido Democrático (PD).

 

O impasse preocupa os beneficiados pelos programas de acolhimento, que podem ser forçados a se mudar de cidade. "Desde agosto todos os centros de capacitação estão fechados por falta de verba, não sabemos o que vai acontecer, o trabalho era minha vida", diz, em lágrimas, Irene, que há 10 anos administra uma vidraçaria com refugiados de várias nacionalidades.

 

"Sem ele, como ficaremos? O modelo de Riace não os agrada, e para atacá-lo, atacam Lucano. O próprio ministro do Interior disse que o modelo de Riace acabou. Sem Mimmo, todos irão embora", lamentou o ganense Daniel.



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