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Pompeo visita Turquia; Arábia Saudita enfrenta novas acusações no caso do jornalista desaparecido

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O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, se reuniu nesta quarta-feira em Ancara com o presidente turco Recep Tayyip Erdogan para abordar a questão do desaparecimento do jornalista Jamal Khashoggi, enquanto novas revelações acusam a Arábia Saudita de ter ordenado o assassinato.

Depois de viajar a Riad, Pompeo desembarcou nesta quarta-feira na capita turca e se encontrou com Erdogan. Também se reunirá com o chanceler turco, Mevlut Cavusoglu.

O desembarque do chefe da diplomacia americana coincide com a publicação na imprensa turca de revelações segundo as quais o jornalista foi torturado e assassinado por agentes sauditas no consulado de seu país em Istambul no dia 2 de outubro.

O jornal Yeni Safak afirma que teve acesso a gravações de áudio e informa que Khashoggi foi torturado durante um interrogatório e que os agentes sauditas cortaram seus dedos, antes de "decapitar" a vítima.

Apesar dos múltiplos indícios que apontam o envolvimento da Arábia Saudita no caso, o governo americano parece dar o benefício da dúvida a um país aliado, insistindo na vontade de Riad de realizar sua própria investigação.

Um dia depois do desaparecimento de Khashoggi, colaborador do Washington Post e crítico do príncipe herdeiro saudita Mohamed Bin Salman, fontes do governo turco afirmaram que ele foi assassinado por uma equipe de 15 agentes enviados por Riad.

Um dos homens identificados pelas autoridades turcas como agente enviado a Istambul faz parte do entorno de Bin Salman, afirmou na terça-feira o jornal New York Times.

De acordo com o NYT, que publicou várias fotos, Maher Abdulaziz Mutreb acompanhou o príncipe em sua viagem aos Estados Unidos em março, assim como a Madri e Paris um mês depois.

O New York Times menciona mais três suspeitos vinculados, por testemunhas e outras fontes, aos serviços de segurança do príncipe.

Um quinto homem, identificado como Salah Al Tubaigy, ocupou cargos de alta responsabilidade no ministério saudita do Interior e na área médica, completou o jornal, ao afirmar que "uma personalidade deste nível só pode ser comandada por uma autoridade saudita de alta patente".

O NYT afirma ainda ter confirmado que "ao menos nove dos 15 (suspeitos) trabalharam para os serviços sauditas de segurança, o exército ou outros ministérios".

O Washington Post afirmou que 11 dos 15 suspeitos mencionados pelas autoridades turcas estão vinculados aos serviços de segurança sauditas.

Para o New York Times, o fato de que os suspeitos têm relação com o governo e vários deles com o príncipe herdeiro "poderia tornar muito mais difícil absolvê-lo de qualquer responsabilidade" no desaparecimento do jornalista.

A imprensa americana informou na segunda-feira que a Arábia Saudita cogitava reconhecer a morte do jornalista durante um interrogatório no consulado.

De acordo com a CNN, Riad preparava um relatório com a explicação de que a operação foi realizada "sem autorização nem transparência" e que "as pessoas envolvidas seriam consideradas responsáveis".

Apesar de todas as acusações contra Riad, Washington apoia o plano da Arábia Saudita de fazer sua própria investigação e insiste que o rei Salman e o príncipe herdeiro negam saber o que aconteceu.

Na terça-feira, em uma entrevista à agência AP, Donald Trump pediu a aplicação do princípio de presunção de inocência para a Arábia Saudita.

Depois dos encontros com o rei Salman e com o príncipe herdeiro, Pompeo afirmou que as investigações de Riad não excluirão ninguém.

"Considero ao concluir os encontros que há um compromisso sério para determinar todos os fatos e prestar contas, inclusive estabelecer a responsabilidade de dirigentes e altos funcionários da Arábia Saudita", declarou Pompeo.

"O príncipe se comprometeu a que o trabalho do promotor apresente a todo o mundo uma explicação completa e definitiva, com total transparência", completou o secretário de Estado.

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