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Acordo de Idlib ameaçado após disparos de morteiros de zona desmilitarizada

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Os extremistas afirmaram na noite deste domingo que desejam continuar os combates contra o regime e permaneceram em uma área que deveria ser desmilitarizada, após o cumprimento da data-limite prevista para sua saída em virtude do acordo alcançado por Rússia e Turquia.

Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), no domingo antes de meia-noite (horário local) não se constatou nenhuma retirada visível, apesar do acordo negociado entre a Rússia, aliada do presidente sírio, Bashar Al Assad, e a Turquia, que apoia os rebeldes, para evitar um ataque por parte do regime.

No sábado à noite foram registrados disparos de armas pesadas dessa área, de onde, a princípio, haviam sido retiradas.

O acordo, feito para evitar um ataque do regime contra o último bastião insurgente e rebelde na Síria, parece cada vez mais frágil.

"Não abandonaremos a escolha da jihad e do combate para realizar os objetivos de nossa bendita revolução, em primeiro lugar, fazer o regime criminoso", publicou em comunicado Hayat Tahrir Al Sham (HTS), principal aliança jihadista em Idlib, dominada pelo antigo braço síria da Al-Qaeda. "Não abandonaremos as armas", afirmou.

Entretanto, o HTS também não disse claramente se rejeita o acordo assinado por russos e turcos em 17 de setembro.

Em referência implícita à Turquia, o grupo jihadista disse "apreciar os esforços de todos os que lutam dentro e fora da Síria para proteger as zonas libertadas [do regime] e impedir sua destruição ou massacres".

 

"Mas nós advertimos contra a duplicidade do ocupante russo e contra toda confiança em suas intenções", acrescentaram os extremistas, que, junto com outros grupos, controlam mais de dois terços da futura zona tampão e 60% da província.

O acordo russo-turco prevê uma zona desmilitarizada para separar os territórios do regime de Al Assad dos que continuam nas mãos de rebeldes e jihadistas, a fim de evitar um ataque e uma possível catástrofe humanitária em Idlib (noroeste).

A Frente Nacional de Libertação, principal grupo rebelde, o apoiou oficialmente e afirmou ter retirado totalmente suas armas pesadas na última quarta-feira, segundo o prazo estabelecido.

Mas na noite de sábado, vários "morteiros foram lançados sobre uma posição militar em Jurina, no norte (da província vizinha) de Hama, matando dois soldados", indicou Abdel Rahman, diretor do OSDH.

A organização não informou se os lançamentos foram feitos por grupos rebeldes ou extremistas.

"Trata-se da primeira violação clara do acordo desde as armas pesadas foram retiradas. Esta zona deveria estar livre de armas pesadas", declarou Rami Abdel Rahman.

 

 

O jornal sírio pró-regime Al Watan também informou sobre os bombardeios, indicando neste domingo que zonas do oeste da província de Aleppo haviam sido alcançadas por "foguetes de morteiro e disparos de artilharia pesada que deveriam ser retirados da zona".

Segundo Abdel Rahman, nos últimos dias o regime bombardeou intermitentemente a zona tampão, mas o acordo russo-turco não menciona a retirada de armas pesadas das forças do governo, mobilizadas em vários setores das províncias vizinhas.

O presidente Bashar al-Assad, que muitas vezes expressou a sua intenção de reconquistar todo o território sírio, qualificou o acordo russo-turco como "temporário" e garantiu que Idlib e as regiões vizinhas logo retornarão às mãos do regime.

 

 

 



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