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Governo Merkel enfrenta eleições regionais perigosas

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Depois de várias crises no governo, os conservadores alemães de Angela Merkel temem que derrotas nas eleições regionais de domingo na Baviera ou em Hesse, no fim do mês, enfraqueçam ainda mais a coalizão no poder.

A chanceler fez um apelo aos correligionários: "Estamos a poucos dias de eleições regionais muito importantes na Baviera e em Hesse. Por isto quero pedir a todos que falem com os eleitores e encerrem as disputas".

Desde as legislativas de setembro de 2017, a chanceler tem que administrar as consequências políticas de sua decisão de 2015 de abrir as fronteiras da Alemanha a mais de um milhão de demandantes de asilo.

Afetada pelo crescimento do partido de extrema-direita Alternativa para Alemanha (AfD), Merkel demorou seis meses para formar uma coalizão, o que conseguiu depois de convencer alguns social-democratas reticentes.

Depois teve que enfrentar uma rebelião da CSU, partido aliado conservador bávaro. Em duas oportunidades, o ministro do Interior e presidente deste partido, Horst Seehofer, questionou o governo ao defender alguns dos temas favoritos do AfD para melhorar suas perspectivas nas eleições bávaras de domingo.

De acordo com as pesquisas, no entanto, a guinada à direita não convenceu os eleitores atraídos pela extrema-direita e assustou os mais moderados, que poderiam optar pelos Verdes, que aparecem em segundo lugar nas intenções de voto.

A CSU bávara caiu para 33-35% nas pesquisas, resultado que seria o menor em sua história e provocaria a perda de sua maioria absoluta. Um autêntico terremoto no reduto conservador, um dos estados mais ricos da Alemanha.

Em Hesse, a CDU de Merkel, que governa o estado, não aparece em posição melhor nas pesquisas. Os Verdes e o AfD também aproveitam a queda do partido da chanceler.

Se as urnas confirmarem os resultados das pesquisas, a formação de governos regionais estáveis será complicada, o que provavelmente levará o campo conservador a retomar o debate sobre a sucessão da chanceler, que governa o país desde 2005 e tem mandato até 2021.

O tema deixou de ser um tabu nos últimos meses. Os mais ambiciosos deram um passo à frente e multiplicaram os apelos pelo abandono das políticas centristas que deram tanto resultado para a chanceler durante uma década.

"Não há mais dúvida. É necessário mudar de método", declarou o influente deputado democrata-cristão Norbert Röttgen à revista Der Spiegel.

Os eleitores da CDU-CSU já deram um primeiro aviso com a escolha de um novo líder da bancada parlamentar que derrotou um aliado de Merkel.

A própria chanceler deve passar em breve por uma votação dos militantes para conservar a presidência de seu partido.

A situação é especialmente complicada para Merkel que, além de lidar com disputas internas, divide o governo com um Partido Social-Democrata (SPD) que enfrentam um momento ruim.

Desde o início da legislatura, o SPD, cuja popularidade não para de cair, hesita a respeito da conveniência de permanecer no poder. E as eleições na Baviera e em Hesse se apresentam como um novo desastre para o partido mais antigo do país.

Ninguém descarta a possibilidade de que o SPD abandone a coalizão, o que obrigara os conservadores a governar em minoria.

"É o ocaso do poder de Merkel na Alemanha", resume Sudha David-Wilp, cientista político no German Marshall Fund.

"E a CDU/CSU terá que pensar no tipo de aliança que deseja para permanecer no poder".

 

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