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China mantém silêncio sobre desaparecimento de chefe da Interpol

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A China se mantinha, neste sábado (6), em silêncio a respeito do desaparecimento do presidente da Interpol, o chinês Meng Hongwei, que também é vice-ministro da Segurança Pública.

O ministério chinês das Relações Exteriores não respondeu aos pedidos de informação da AFP.

A Interpol - organização que facilita a cooperação entre as polícias de 192 países - solicitou oficialmente neste sábado à China esclarecimentos sobre a situação de seu chefe.

No Twitter, Jürgen Stock, secretário-geral da organização, disse esperar "uma resposta oficial das autoridades chinesas quanto às preocupações sobre o que aconteceu com o presidente" da Interpol.

Meng Hongwei é investigado na China e teria sido levado para interrogatório assim que aterrissou em seu país na semana passada por razões ainda desconhecidas, segundo informou na sexta-feira o jornal de Hong Kong South China Morning Post, citando uma fonte anônima.

Na sexta-feira, as autoridades francesas abriram uma investigação para apurar o desaparecimento. O governo francês disse que está preocupado com as ameaças recebidas pela esposa de Meng.

"As autoridades da China, que foram interrogadas pelo escritório da Interpol em Pequim, não forneceram informações", apontou o ministério francês do Interior. "O diálogo com as autoridades chinesas continua", acrescentou.

Meng Hongwei, que se tornou em 2016 o primeiro chinês à frente da Organização Internacional de Polícia Criminal, com sede em Lyon, no sudoeste da França, viajou em 29 de setembro à China.

Mas desde então não deu notícias. Foi sua esposa que alertou seu desaparecimento na última quinta-feira às autoridades francesas.

Num primeiro momento, a Interpol havia se limitado a dizer que este assunto "dependia das autoridades na França e na China", indicando que quem realmente conduz as atividades da instituição é o alemão Jürgen Stock.

O desaparecimento de autoridades chinesas tornou-se relativamente comum sob a presidência de Xi Jinping, que vem conduzindo uma campanha anticorrupção há alguns anos e que serviria de pretexto para expurgos políticos na China e no exterior.

Segundo números oficiais, 1,5 milhão de autoridades já foram investigadas nesta campanha.

As razões para uma possível investigação de Meng não estão claras, mas ele cresceu em sua carreira quando o país era dirigido por Zhou Yongkang, um rival do presidente Xi que atualmente cumpre uma pena de prisão perpétua.

A investigação sobre seu desaparecimento foi aberta em Lyon, sede mundial da maior organização policial internacional e cidade de residência de Meng Hongwei e de sua família.

Meng Hongwei, de 64 anos, foi eleito em 10 de novembro de 2016 como diretor da Interpol para substituir a francesa Mireille Ballestrazzi durante a 85ª Assembleia Geral da organização de cooperação policial realizada na ilha indonésia de Bali.

Antes de sua nomeação para um mandato de 4 anos, Meng atuou como vice-ministro de Segurança Pública em seu país e chefiou o escritório nacional da Interpol. Ele também era um peso pesado do Partido Comunista Chinês.

Durante sua carreira como policial, trabalhou em unidades antidrogas e de combate ao terrorismo, de acordo com sua biografia publicada no site da Interpol.

A eleição de Meng provocou críticas de organizações de direitos humanos. Pequim costuma usar a Interpol para "deter dissidentes e refugiados no exterior", denunciou a Anistia Internacional.

A Interpol rejeitou as acusações de parcialidade e lembrou que o Artigo 3 de seu estatuto estipula que "é estritamente proibido à organização qualquer atividade ou intervenção em questões ou assuntos de natureza política, militar, religiosa ou racial".

 

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