Premier da Itália iniciará reformas a partir de 2019

Apesar da pressão da Comissão Europeia para a redução do déficit na lei orçamentária, o primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, anunciou nesta terça-feira (2) que o programa das reformas prometidas durante a campanha eleitoral, como renda de cidadania e reforma previdenciária, terá início já no início de 2019.

"Concluímos a reunião dedicada aos detalhes da manobra e confirmamos as antecipações que nos levaram a defini-la como séria, racional e corajosa. Confirmamos que o programa terá início já em 2019", disse Conte, em um comunicado. 
Com duração de duas horas, a reunião no Palazzo Chigi contou com a presença do premier italiano, do ministro do Interior, Matteo Salvini, do ministro de Transporte, Luigi Di Maio, além do ministro da Economia, Giovanni Tria, e do representante das Relações Exteriores, Enzo Moavero Milanesi. Estavam presentes também os dois vice-ministros da Economia, Massimo Garavaglia e Laura Castelli.
"Trabalhamos para projetar a manobra de modo a acelerar o declínio da relação dívida/PIB de maneira consistente ao longo dos três anos", acrescentou. Em sua conta no Twitter, Conte publicou uma imagem da cúpula.
"No trabalho pela mudança, todos juntos determinados com os compromissos assumidos. Nossa manobra, pela primeira vez, foca nos cidadãos e faz o bem das pessoas", escreveu.


Na última semana, o governo adotou um déficit de 2,4% pelos próximos três anos para financiar as promessas eleitorais. O principal objetivo é usar o déficit para a chama "renda de cidadania", que pagará um subsídio para trabalhadores desempregados, e o piso de 780 euros na aposentadoria.


"Com os 10 bilhões da renda de cidadania, damos a todos a chance de reconstruir o futuro. Em seguida, vamos nos livrar da lei Fornero, porque todo mundo tem o direito de se aposentar pacificamente e os jovens têm o direito de entrar no mundo do trabalho, ao mesmo tempo, atender às necessidades das empresas", explicou Di Maio.


Segundo ele, o governo ainda vai "alocar 1 bilhão e meio de euros para compensar os poupadores enganados pelos bancos".


"Confirmamos 2,4% e pretendemos reduzir a dívida nos anos seguintes graças ao crescimento que haverá e aos cortes nos resíduos produzidos pelo trabalho de nossa equipe", acrescentou o ministro de Transportes.
O aumento do déficit vai contra as normas da União Europeia, que exige um número abaixo de 3% do PIB. A medida é temida pois pode aumentar ainda mais a dívida pública da Itália, que atualmente tem uma das maiores do mundo e a segunda maior da zona do euro, em 132% do PIB.