Macedônia aprova mudança de nome, mas com baixa afluência

Consulta popular buscava encerrar conflito histórico com a Grécia

Apesar da baixa afluência às urnas, a Macedônia aprovou em plebiscito consultivo, no domingo (30), o acordo para resolver um conflito histórico com a Grécia e alterar o nome do país para República da Macedônia do Norte. Apenas 36,11% dos eleitores da Macedônia votaram - abaixo dos 50% necessários para que a consulta tivesse validade. Mesmo assim, com 98,6% das urnas apuradas, o "sim" venceu com 91,48% dos votos, contra 5,64% do "não". A falta de quórum torna mais difícil para o Parlamento aprovar uma reforma na Constituição, necessária para a mudança de nome na ex-República Iugoslava da Macedônia (Fyrom). Diante do impasse, o premier da Macedônia, Zoran Zaev, negou que pretenda renunciar ao cargo e garantiu que trabalhará para que as mudanças sejam feitas e o acordo com a Grécia passe a valer. "Foi um referendo de sucesso, a maioria votou pelo sim.
Conversaremos com os nossos membros do Parlamento e veremos se a maioria de dois terços segue com as mudanças na Constituição para colocarmos em prática o acordo com a Grécia. Se não conseguirmos, convocaremos eleições antecipadas", afirmou o premier, cogitando um pleito já em novembro.
Partidos da oposição boicotaram a consulta popular alegando que a pergunta era manipuladora, pois não se referia diretamente ao nome definitivo a ser adotado na Macedônia.
A questão apenas pedia se o cidadão apoiava ou não a "integração à União Europeia (UE) e à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ao aceitar o acordo entre Macedônia e Grécia".
Os dois países assinaram em junho passado um acordo para colocar fim a uma disputa que se arrastou por 25 anos e levou a Grécia a boicotar a adesão da Macedônia à UE e à Otan. Isso porque os gregos reivindicam exclusividade sobre o termo "Macedônia", que batiza uma porção do território setentrional do arquipélago.
"A porta da Otan está aberta, mas todos os procedimentos nacionais devem ser respeitados", disse, pelo Twitter, o secretário-geral Jens Stoltenberg, definindo como uma "oportunidade histórica" a vitória do sim. A Macedônia começou a negociar no dia 25 de julho uma adesão à Otan, após ter recebido um convite oficial da Aliança em uma cúpula em Bruxelas, em 12 de julho.
"A grande maioria que exerceu o direito de voto optou pelo sim ao acordo. É uma oportunidade para avançar a relação do país com a União Europeia", disse a representante de política externa do bloco europeu, a italiana Federica Mogherini.