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Macedônios boicotam referendo

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SKOPJE - O referendo organizado pelo governo da Macedônia para decidir sobre a mudança do nome do país para Macedônia do Norte teve um índice de abstenção superior a 65%, segundo dados oficiais, indicando que a campanha pelo boicote conduzida pela direita nacionalista foi eficaz. Por outro lado, entre os 34% dos eleitores que compareceram, 91,2% votou pela mudança, solução encontrada para uma disputa histórica com a Grécia de implicações econômicas e geopolíticas.
A Macedônia, pequena república dos Bálcãs sem acesso ao mar e cercada pela Grécia, Albânia, Bulgária, Sérgia e (de facto) Kosovo, se tornou independente da Iugoslávia em 1991 e, desde então, seu nome se tornou alvo de disputa com os gregos, que têm uma província de mesmo nome e acusam os vizinhos de manter ambições expansionistas ocultas. Desde então, Atenas veta o ingresso dos macedônios na União Europeia (UE) e na Otan.
Os partidos da direita nacionalista se opuseram à mudança do nome por considerarem uma imposição estrangeira e convocaram um boicote ao pleito. O baixo comparecimento às urnas enfraquece o poder do governo do primeiro-ministro Zoran Zaev, nas negociações com o parlamento, que deverá aprovar ou não a decisão do referendo.
Zaev, de filiação social-democrata, minimizou a alta abstenção. “Independente do boicote organizado, eu imagino que a vasta maioria dos cidadãos que votaram escolheram uma trajetória europeia para a Macedônia. Não poderia existir acordo melhor com a Grécia e não há outra alternativa para nosso país que não seja integrar a UE”, declarou o chefe de governo.
Apesar do resultado, Johannes Hahn, comissário europeu de Negociações de Ampliação, disse esperar que os líderes políticos respeitem a decisão e a apliquem com “máxima responsabilidade” pelo interesse do próprio país.
Já os opositores da mudança comemoraram o sucesso do boicote à consulta. Do lado de fora do parlamento do país, cartazes diziam “Norte nunca, Macedônia sempre”. O próprio presidente do país, Gjorge Ivanov, ligado à direita nacionalista, anunciou que não votaria. Outro fator parece ter afetado o resultado: cerca de 25% da população macedônia deixou o país nos últimos anos, motivados pela estagnação econômica.



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