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Número de mortos pelo terremoto na Indonésia dobra em menos de 24 horas e estatísticas devem piorar

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JACARTA - A Agência de Gestão de Desastres da Indonésia atualizou ontem o balanço de vítimas fatais em decorrência do terremoto seguido de tsunami na ilha de Célebes, na última sexta-feira, para 832. O número deve aumentar nos próximos dias, alertou o porta-voz do órgão, Sutopo Purwo Nugroho Até a noite de sábado, esse número era de 420. Os corpos, estirados aos montes nas ruas de Palu, cidade mais atingida, começaram a ser enterrados pelos próprios familiares para evitar a proliferação de doenças. O presidente indonésio, Joko Widodo, chegou ontem à região junto de aviões com mantimentos.

“Peço que se preparem para trabalhar dia e noite e iniciar o processo de evacuação”, declarou Widodo em Palu. A cidade está há três dias sem combustível, água e comida. O rastro de destruição e a dificuldade das autoridades em atender a população levaram ao saqueamento recorrente de lojas e supermercados. O governo disse que não punirá a população e prometeu compensar os comerciantes. “Solicitamos aos distribuidores Alfamart e Indomaret que deixem as pessoas levarem os produtos. Devem registrar tudo e nós pagaremos, não será um saque”, pediu o ministro do Interior do país, Tjahjo Kumolo.

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Familiares carregam corpo de vítima do terremoto em Palu, na região central da Indonésia, em meio a vários cadáveres espalhados (Foto: Bay Ismoyo/AFP)

Como medida emergencial, o poder público articula a formação de cozinhas móveis capazes de preparar 36 mil refeições diárias. A ajuda se estende à distribuição de macarrões instantâneos, água potável, cobertores e colchões. Neste final de semana, muitos dormiram na rua ou em abrigos improvisados, como campos de futebol, pelo temor de um novo terremoto. Ontem, alguns tremores secundários assustaram os já traumatizados indonésios.

As autoridades seguem sem a dimensão dos estragos na região de Donggala, próxima a Palu, também atingida pelo sismo de 7,5 graus na escala Richter. Para Tom Howells, diretor da ONG Save The Children, esse quadro deve agravar as estatísticas oficiais. “As organizações de ajuda e as autoridades locais se esforçam para alcançar várias comunidades ao redor de Donggala, onde tememos grandes danos materiais e a possível perda de vidas humanas em grande escala”, disse à Agência AFP.

Em meio à desolação, a história de um jovem controlador aéreo inspirou os sobreviventes. Anthonius Gunawan Agun, de 21 anos, supervisionava a decolagem do voo 6231, que tinha como destino a cidade de Macáçar, quando o terremoto começou. Segundo funcionários da torre, que fugiram do local, Agun se recusou a deixar o prédio até garantir a segurança do avião.

Quando o avião decolou, o funcionário tentou fugir, mas o edifício começou a desabar e ele se jogou do quarto andar. Com ferimentos graves, não resistiu e faleceu no hospital. Para a população e a mídia local, Agun se tornou um herói. A administradora do aeroporto de Palu anunciou que o promoverá de forma póstuma como homenagem.



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