No Conselho de Segurança, Trump denuncia Irã, Rússia e China

Donald Trump denunciou nesta quarta-feira (26) no Conselho de Segurança a agressividade crescente do Irã, que os Estados Unidos vão voltar a sancionar, além de atacar a Rússia sobre a Coreia do Norte e a China sobre as próximas eleições americanas.

"Nos anos que se seguiram à assinatura do acordo" de 2015 sobre o programa nuclear iraniano, "a agressão do Irã só aumentou", declarou o presidente americano, que retirou seu país do texto.

Ele prometeu que as sanções americanas vão estar "plenamente" em vigor no início de novembro e serão seguidas por novas medidas punitivas "mais duras do que nunca, para conter todo o comportamento malicioso do Irã".

Donald Trump, que dirigiu pela primeira vez a mais alta instância da ONU, bateu com o martelo como exige o protocolo para abrir a sessão do Conselho, lendo um texto sem improvisar.

Mais incomum, ele usou novamente o martelo para dar a palavra ao presidente francês, Emmanuel Macron, quando, em princípio, deveria voltar a usá-lo apenas para encerrar a reunião dos 15 membros dedicada à não-proliferação de armas de destruição em massa.

Macron, que defende o diálogo com Teerã, enfatizou que a crise iraniana não pode ser reduzida a uma "política de sanções". "Precisamos construir juntos uma estratégia de longo prazo para administrar essa crise", disse.

Na terça-feira, entre os primeiros a pisar na tribuna da Assembleia Geral Anual da ONU em Nova York, Donald Trump e o presidente iraniano, Hassan Rohani, entraram em confronto.

 

Na ocasião, o presidente americano lançou um apelo a "todas as nações" para "isolar" a "ditadura corrupta" de Teerã. O objetivo: unir a comunidade internacional para forçar a República Islâmica a negociar um amplo tratado proibindo qualquer proliferação de mísseis balísticos e, assim, acabar com seu comportamento "desestabilizador" no Oriente Médio.

Em contrapartida, o presidente iraniano o acusou de tentar "derrubá-lo" por meio de sanções draconianas comparáveis a um ato de "terrorismo econômico".

Donald Trump se reuniu esta manhã com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, um de seus aliados regionais que, com a Arábia Saudita, pressiona Washington a manter uma linha anti-iraniana.

Paris e Londres, assim como toda a União Europeia, nunca aceitaram a retirada dos Estados Unidos do acordo iraniano, e tentam salvá-lo com Teerã e seus dois outros signatários, Moscou e Pequim, adversários habituais de Washington, também membros permanentes do Conselho de Segurança.

Esses europeus anunciaram na ONU, no início desta semana, um complexo mecanismo visando preservar as muitas empresas estrangeiras condenadas a deixar o Irã sob pena de medidas punitivas dos Estados Unidos. Esta iniciativa foi denunciada pelo governo americano, com o chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, expressando sua "profunda decepção".

Sobre o conflito entre Israel e os palestinos, o presidente dos Estados Unidos prometeu um plano de paz dentro de quatro meses e disse estar confiante de que os palestinos retornarão à mesa de negociações.

Pela primeira vez ele declarou ser a favor de uma solução de dois Estados para este conflito.

Mas, segundo os palestinos, essas palavras não são apoiadas por atos.

 

Na Coreia do Norte, um ano depois de mobilizar com sucesso a comunidade internacional para impor sanções sem precedentes contra os programas nucleares e balísticos de Pyongyang, os Estados Unidos enfrentam o outro lado de sua aproximação diplomática com Kim Jong Un em vista de uma possível desnuclearização.

Ao Conselho de Segurança, e mais diretamente à China e à Rússia, Donald Trump pediu respeito às sanções da ONU contra Pyongyang até sua total desnuclearização.

"Para garantir que esses avanços continuem, precisamos implementar as resoluções do Conselho de Segurança da ONU até que a desnuclearização ocorra", acrescentou, lamentando que "alguns países já estejam violando estas sanções da ONU".

Mike Pompeo anunciou nesta quarta-feira que teve uma "reunião muito positiva" à margem da Assembleia Geral da ONU com o seu colega norte-coreano, Ri Yong Ho, sobre a desnuclearização da Coreia do Norte.

Sobre a Síria, o presidente americano atacou diretamente a Rússia, aliada de Damasco e o principal obstáculo à adoção de muitas resoluções da ONU sobre o conflito de sete anos. A "carnificina" neste país é possível graças ao Irã e à Rússia, denunciou.

Além disso, Donald Trump acusou violentamente Pequim de querer evitar que seu partido vença as próximas eleições parlamentares. "A China está tentando interferir nas eleições de novembro de 2018 contra o meu governo", garantiu. "Eles não querem que eu ganhe, ou que nós vençamos, porque sou o primeiro presidente a desafiar a China no comércio", acrescentou.