Na ONU, Israel acusa Irã de abrigar "depósito atômico secreto"

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, acusou nesta quinta-feira (27) o Irã de possuir um "depósito atômico secreto" em Teerã, exibindo mapas e fotografias na Assembleia Geral da ONU.

"O que o Irã esconde, Israel encontrará", disse o líder israelense, exibindo fotografias do exterior de um edifício na capital iraniana.

"Israel fará o que for necessário para se defender da agressão do Irã", assegurou Netanyahu.

Após uma apresentação em que lembrou de outras "revelações" sobre planos secretos do governo iraniano, feitas em Israel no final de abril, Netanyahu pediu ao Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) a "inspecionar imediatamente este local antes que os iranianos o esvaziem".

"O senhor prometeu que as inspeções poderiam ser feitas em qualquer lugar, a qualquer momento", disse a Yukiya Amano, o diretor japonês desta agência da ONU. "Então, por que não fazer imediatamente uma inspeção deste local?"

Netanyahu garantiu que os iranianos haviam começado a esvaziar o depósito, que segundo ele continha até "300 toneladas de materiais". "Os funcionários iranianos estão tentando desesperadamente esvaziar as instalações (...) Apenas no mês passado eliminaram 15 quilos de materiais radioativos", acrescentou.

Ele afirmou que este lugar secreto demostrou mais uma vez que o acordo nuclear de 2015 - que busca frear as ambições do Irã de desenvolver a bomba atômica e que os europeus, os russos e os chineses continuam defendendo, apesar da retirada dos Estados Unidos anunciada em maio - se baseia "em uma mentira".

"O Irã não abandonou seu objetivo de desenvolver armas nucleares. Garanto que isso não acontecerá", acrescentou, ressaltando que os iranianos pretendem "reutilizar este local em poucos anos".

Israel se opõe fortemente ao acordo nuclear do Irã, selado por Estados Unidos, Rússia, China e pelas nações europeias em 2015 e felicitou o presidente Donald Trump por tê-lo abandonado. Netanyahu reiterou seu beneplácito pela retirada de Washington do acordo, que já denunciou muitas vezes como uma ameaça para seu país e para toda a região. Também criticou duramente os europeus, que continuam defendendo o tratado.

Este pacto teve "uma consequência positiva", disse o primeiro-ministro. "Ele aproximou mais do que nunca Israel a muitos países árabes", também hostis a Teerã, disse.

Netanyahu afirmou ainda que o movimento xiita libanês Hezbollah, outro inimigo de Israel, colocou três instalações de mísseis perto do aeroporto de Beirute, mostrando o que descreveu como "uma imagen que vale mil mísseis".