Londres adverte Moscou sobre "preço a pagar" por uso de armas químicas

O ministro britânico das Relações Exteriores, Jeremy Hunt, advertiu nesta segunda-feira a Rússia do "preço a pagar" pelo uso de armas químicas, na violação dos tratados internacionais, vários meses depois do caso Skripal.

O chefe da diplomacia britânica se reuniu com seu homólogo russo, Serguei Lavrov, à margem da Assembleia Geral da ONU em Nova York, em um encontro que descreveu como "um honesto intercâmbio de pontos de vista".

"Foi bastante difícil porque é inaceitável que a Rússia ordene os dois agentes do GRU [serviços de espionagem militar russo] a utilizar armas químicas em solo britânico", declarou à rede Sky News.

"Há normas internacionais que proíbem o uso de armas químicas. Nossa mensagem à Rússia é 'sim fizerem isso, o preço a pagar será muito alto'", acrescentou Jeremy Hunt.

Em março, o ex-espião russo Serguei Skripal e sua filha Yulia foram vítimas de uma tentativa de envenenamento em Salisbury (sul da Inglaterra). Londres acusou Moscou de ter ordenado o envenenamento com a substância neurotóxica Novichok, o que foi desmentido pelo Kremlin.

No começo de setembro, a polícia britânica lançou uma ordem de detenção contra dois cidadãos russos apresentados como membros do GRU, e suspeitos de terem cometido o ataque. O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que os dois indivíduos eram civis, o que foi desmentido pelo site de investigação Bellingcat em relação a um dos dois homens.

Um membro da delegação russa citado pelos meios na Rússia informou que não houve encontro entre Lavrov e o ministro britânico das Relações Exteriores.

"Houve um café da manhã dos cinco membros do conselho de segurança da ONU [ao qual pertencem Rússia e Reino Unido, ndlr] durante o qual os países intercambiaram suas opiniões", explicou.

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