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Irã: os grupos por trás dos atentados mais recentes no país

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Atingido neste sábado (22) por um letal atentado em Ahvaz, no sudoeste do país, o Irã tem sido relativamente poupado por ações desse tipo nos últimos anos, mas enfrenta grupos insurgentes responsáveis por ataques em seu próprio território.

Entre eles, grupos separatistas curdos e baluches e, muito recentemente, o Estado Islâmico (EI).

Teerã acusa, com frequência, Arábia Saudita e Estados Unidos de apoiarem o terrorismo contra o país.

 

O EI reivindicou seu primeiro ataque no Irã em 7 de junho de 2017. Homens armados e suicidas atacam o Parlamento e o mausoléu do fundador da República Islâmica, o imã Khomeiny, em Teerã, deixando 17 mortos e dezenas de feridos.

Em um vídeo publicado em março de 2017, a organização sunita ameaçou agir no Irã em represália ao apoio militar e logístico dado por Teerã às autoridades de Damasco e de Bagdá. O grupo dizia querer conquistar o Irã para "entregá-lo à nação muçulmana sunita" e provocar um banho de sangue entre os xiitas.

 

Esse grupo sunita extremista trava, desde 2000, uma sangrenta rebelião contra a República Islâmica, que é 90% de obediência muçulmana xiita. Pertence à etnia baluche, que representa uma importante parte da população da província do Sistão-Baluquistão (sudeste), na fronteira com Paquistão e Afeganistão. O grupo dispõe de retaguardas nesses dois países.

Teerã sempre acusou o Jundallah de ser treinado e equipado pelos serviços de Inteligência americanos, israelenses, britânicos e paquistaneses, com o objetivo de desestabilizar o poder central iraniano.

- 15 dezembro 2010: Jundallah reivindica um atentado suicida contra fiéis xiitas reunidos em Chabahar (sudeste) para Ashura, a maior festa religiosa xiita. Deixa 34 mortos e mais de 80 feridos.

- 15 julho 2010: um atentado contra uma mesquita xiita em Zahedan (sudeste) deixou 28 mortos e mais de 250 feridos. O chefe do Jundallah, Abdolmalek Righ, foi enforcado em junho.

- 18 outubro 2009: Jundallah mata 42 pessoas, incluindo vários oficiais dos Guardiães da Revolução em Pishin, cidade perto da fronteira paquistanesa. Esse atentado suicida tinha como alvo uma reunião entre comandantes dos Pasdaran e chefes de tribos, destinada a "reforçar a unidade entre xiitas e sunitas".

- maio 2009: Jundallah assume a autoria de um atentado a bomba que deixou 25 mortos e mais de 50 feridos em uma mesquita xiita de Zahedan.

- 14 fevereiro 2007: um atentado dos Pasdaran com carro-bomba contra um ônibus no Sistão-Baluquistão deixa 13 mortos e 29 feridos.

 

As autoridades iranianas atribuem vários atentados a "grupos contrarrevolucionários" instalados no nordeste do Iraque, em especial o PDKI (Partido Democrata do Curdistão do Irã, o mais antigo partido separatista curdo do país) e o PJAK (Partido para uma Vida Livre do Curdistão, ligado ao PKK turco). o governo acusa os Estados Unidos, com frequência, de apoiarem essas organizações armadas.

- 20 julho 2018: pelo menos dez membros dos Guardiães da Revolução são mortos em um ataque cometido por insurgentes contra uma de suas bases no povoado de Dari, no noroeste do Curdistão iraniano. Nenhum grupo assumiu o ataque.

- 22 setembro 2010: 12 pessoas foram mortas, e 81 feridas, na explosão de uma bomba durante uma parada militar em Mahabad, cidade de população curda da província do Azerbaijão Ocidental (noroeste), na fronteira com Iraque e Turquia. A maioria das vítimas era mulheres e crianças, que assistiam a esse desfile organizado por ocasião do 30º aniversário do início da guerra Irã-Iraque (1980-1988). O Irã atribui o atentado a "elementos contrarrevolucionários".

 

Após os atentados de 7 de junho de 2017, Teerã multiplicou as operações antiterroristas em todo país, tendo como alvo, principalmente, as regiões do noroeste e do Curdistão, fronteiriças com o Iraque, e a minoria curda. Quatro dos cinco membros do comando de Teerã eram curdo-iranianos.

 

rap/vdr/mj/vl/tt

 



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