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Moscou e Pequim denunciam novas sanções americanas

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Moscou e Pequim denunciaram, nesta sexta-feira (21), as novas sanções anunciadas por Washington contra a Rússia e também - fato inédito - contra a China, pela compra de armas russas, elevando ainda mais as tensões em um contexto de guerra comercial bilateral.

Trata-se da primeira vez que um governo estrangeiro é punido pelos Estados Unidos pela aquisição de material de defesa com a Rússia - neste caso, caças e mísseis terra-ar.

Anunciadas na quinta-feira à noite, essas sanções foram recebidas com irritação por Pequim.

O porta-voz do Ministério chinês das Relações Exteriores, Geng Shuang, manifestou sua "grande indignação", nesta sexta, pedindo sua retirada aos Estados Unidos. Caso contrário, Washington terá de "pagar pelas consequências".

"Esse gesto dos Estados Unidos viola gravemente os princípios fundamentais das relações internacionais e prejudica, seriamente, as relações entre os dois países e seus Exércitos", declarou Geng Shuang, acrescentando que já foi feito um protesto formal com Washington.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, denunciou uma "concorrência desleal" e disse ver nessas medidas "uma tentativa de expulsar (a Rússia) do mercado" de armamentos. Ele prometeu uma resposta de Moscou.

"É a continuação da histeria de sanções em Washington", acrescentou, evocando "atos hostis".

Em visita a Sarajevo, o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, considerou que "a confiança no sistema monetário e financeiro internacional é muito seriamente minada" pelas medidas americanas.

"Seria bom se lembrar de uma noção como a estabilidade mundial, que eles abalam de maneira irrefletida", denunciou o vice-ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Riabkov, em um comunicado, acrescentando que "brincar com fogo é estúpido, porque isso pode se tornar perigoso".

 

Uma unidade-chave do Ministério chinês da Defesa - o Departamento de Desenvolvimento de Equipamento - e seu diretor, Li Shangfu, foram sancionados pela compra de caças Sukhoi Su-35 e de equipamento ligado ao sistema de defesa antiaérea russa S-400.

Geng Shuang justificou as compras, lembrando que a Rússia é "um parceiro de cooperação estratégica" de Pequim e que essa cooperação visa a defender "os interesses legítimos dos dois países, assim como a paz e a estabilidade regionais".

Os chineses não foram os únicos, porém, a receber novas sanções: outras 33 pessoas e entidades (empresas, agências, entre outras) russas, nos setores militar e de Inteligência, foram colocadas na lista negra americana.

A relação inclui Igor Korobov, diretor da GRU, a Inteligência militar russa acusada pelo Reino Unido de envolvimento no envenenamento do ex-espião russo Serguei Skripal e de sua filha, Yulia.

Também estão na lista a organização paramilitar Wagner, ativa na Ucrânia e na Síria, o empresário Evgueni Prigojin, ligado ao presidente russo, Vladimir Putin, e a fabricante dos aviões Sukhoi, de Komsomolsk-on-Amur.

Para o vice-ministro Serguei Riabkov, existe nos Estados Unidos "um prazer nacional em tomar medidas antirrussas". Ele calcula que esta seja a 60ª rodada de sanções contra a Rússia desde 2011.

Aos olhos de Washington, essas sanções são, porém, "uma etapa importante" para punir as "atividades criminosas" da Rússia, como a ingerência nas eleições americanas, a anexação da Crimeia e sua postura em relação à Ucrânia, de acordo com o funcionário americano que as anunciou.

"O alvo final dessas sanções é a Rússia", afirmou, ressaltando que não se trata de "minar a defesa de nenhum país em particular".

As sanções acabam sendo uma advertência para outros países, em especial a Turquia, aliada de Washington, mas envolvida na compra de S-400.

E a escolha da China não parece inofensiva, no momento em que o governo Trump sobe o tom com Pequim, aumentando as tarifas americanas sobre as importações chinesas.

"A Rússia é agressiva. A Rússia tenta intervir nas nossas eleições, mas, no longo prazo, quando falamos do que ameaça a renda dos americanos, do que ameaça realmente o crescimento econômico americano, a China representa - e de longe - a maior ameaça para os Estados Unidos", afirmou o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, na quarta-feira.

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