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Presidentes russo e turco discutem sobre o último reduto rebelde na Síria

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O presidente russo, Vladimir Putin, e seu colega turco, Recep Tayyip Erdogan, tentam nesta segunda-feira superar suas divergências sobre o destino de Idlib, a último reduto rebelde na Síria que o regime de Damasco quer conquistar com ajuda de seu aliado russo.

Os dois presidentes, cujos países são atores-chave do conflito, encontram-se no balneário de Sochi, no Mar Negro, para superar as divergências que surgiram na cúpula que tiveram com o presidente iraniano Hassan Rohani em Teerã em 7 de setembro.

Essas divergências levaram a Rússia a adiar a ofensiva de Idlib para evitar uma ruptura com Ancara, que apoia alguns grupos rebeldes e se opõe a tal ofensiva.

"A situação está tensa com o Idlib", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, à agência de notícias russa Ria Novosti, citando "diferenças de abordagem" entre os dois países sobre o futuro da única disputa nas mãos da oposição armada ao presidente Bashar Assad.

A Rússia, sua melhor aliada, parece querer acabar rapidamente com a rebelião síria e, durante a cúpula de Teerã, foi a mais fervorosa defensora de um grande ataque contra Idlib.

A província de Idlib é controlada em 60% pelo grupo jihadista Hayat Tahrir Al Sham (HTS), formado pela antiga facção da Al-Qaeda na Síria. Embora apóie outros grupos rebeldes, a Turquia considera o TSH uma formação terrorista.

Desde a cúpula de Teerã, há intensas negociações entre russos e turcos para tentar chegar a um acordo. O objetivo principal de Ancara é neutralizar o HTS, mas evitando uma grande ofensiva militar.

A Turquia, um país que faz fronteira com a província síria de Idlib, quer evitar um novo fluxo de refugiados sírios que desencadearia uma ofensiva militar, pois já acolheu mais de três milhões de sírios desde o início da guerra.

Além disso, a Turquia está preocupada com a situação de centenas de soldados turcos destacados em 12 postos de observação estabelecidos em Idlib para verificar se o compromisso de distensão implementado desde janeiro de 2017 pelo chamado compromisso Astana é respeitado.

A Síria foi devastada desde 2011 por uma guerra que causou mais de 360.000 mortes. A intervenção do exército russo desde setembro de 2015 em apoio ao regime sírio mudou o curso da guerra e permitiu que o governo de Damasco obtivesse importantes vitórias militares.

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