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Centenas de sírios fogem de Idlib por medo de ofensiva do Exército

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Centenas de civis sírios fugiram da província de Idlib, último grande bastião rebelde na Síria, rumo a Aleppo, mais ao norte, por temor de uma ofensiva do Exército sírio, relatou o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

Forças do governo Bashar al-Assad voltaram a bombardear nesta quinta-feira o sudeste da província. Apesar de deixar um rastro de perdas humanas e destruições colossais, a aviação é uma arma crucial para o governo e seu aliado russo nos ataques para retomar os bastiões rebeldes e extremistas.

Determinado a reassumir o controle de todo seu território, e com a ajuda militar russa e iraniana, o governo enviou vários reforços para os limites da província, na fronteira com a Turquia, dominada pelos extremistas do Hayat Tahrir al-Sham (HTS), mas onde também estão outras importantes facções rebeldes.

Desde a véspera, os habitantes de várias aldeias do sudeste de Idlib se dirigiram para a província vizinha de Aleppo, no norte, indicou o OSDH.

"São cerca de 180 famílias, cerca de mil pessoas", disse o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

"Dirigem-se para o oeste da província de Aleppo e para a região de Afrin", perto da fronteira com a Turquia, indicou a fonte.

Mohamed Al Zir, um morador da cidade de Idlib, disse ter medo, sobretudo, dos ataques aéreos do governo e de seu aliado russo.

"São forças aéreas criminosas que cometem massacres entre os civis", acusa. "Os bombardeios são selvagens e não têm alvos, atiram às cegas", completa.

A ONU teme que uma ofensiva do governo provoque o deslocamento de até 800.000 pessoas.

 

Há semanas, o governo concentra tropas nos arredores da província de Idlib, noroeste da Síria, controlada pelos extremistas do HTS e por grupos rebeldes. E, há vários dias, a artilharia do governo bombardeia intensamente o sudeste de Idlib. Seis pessoas ficaram feridas nesta quinta, afirmou o OSDH.

Na terça, 13 civis, entre eles seis crianças, morreram nos bombardeios russos na província, segundo o OSDH. Moscou garante que lançou ataques contra extremistas, longe das zonas residenciais.

Mais de três milhões de pessoas vivem na província de Idlib. Para lá foram enviados milhares de rebeldes e civis, evacuados de outros redutos insurgentes recuperados pelo governo. Segundo a ONU, a maioria é de deslocados procedentes de outras regiões.

Em Idlib e nos focos insurgentes vizinhos, a ONU e muitos países ocidentais temem uma "catástrofe humanitária" de uma envergadura sem precedentes.

Uma ofensiva teria como alvo, principalmente, setores periféricos de Idlib, e certas zonas insurgentes das províncias vizinhas, afirmam especialistas.

O governo tem na mira, sobretudo, os extremistas do HTS, formado pelo antigo braço sírio da rede Al-Qaeda.

À espera dos resultados da cúpula de Teerã, que deve acontecer na sexta-feira entre os presidentes de Irã, Rússia e Turquia, o enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, pediu que se evite "um banho de sangue".

Também para esta sexta, os Estados Unidos convocaram uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para tratar do tema.

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