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Justiça israelense autoriza demolição de vilarejo beduíno na Cisjordânia

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A Suprema Corte de Israel autorizou a demolição de um emblemático vilarejo beduíno de Khan al-Ahmar, na Cisjordânia ocupada, que poderá acontecer na próxima semana, depois da rejeição dos recursos contra a destruição.

A ONU, alguns governos europeus e várias ONGs são contrários à demolição de Khan al-Ahmar, formado por casas e estruturas precárias e situada ao leste de Jerusalém, perto das colônias israelenses.

Os criíticos afirmam que a destruição permitirá uma ampliação das colônias e cortar a Cisjordânia em duas, complicando ainda mais a criação de um Estado palestino independente, solução de referência para a maior parte da comunidade internacional para tentar solucionar o conflito israelense-palestino.

Nesta quarta-feira, a Suprema Corte rejeitou os recursos jurídicos apresentados contra a destruição do vilarejo. Com a retirada da medida judicial suspensiva, prevista para "dentro de sete dias", as autoridades israelenses poderão ativar a ordem de demolição de Khan al-Ahmar.

Em maio, a Suprema Corte rejeitou um pedido dos moradores contra a demolição da localidade, que para as autoridades foi construída ilegalmente, mas suspendeu de forma provisória a demolição depois de receber duas apelações jurídicas.

O governo israelense propôs aos moradores de Khan al-Ahmar a mudança para as proximidades de Abu Dis, na Cisjordânia ocupada, mas este se negam, alegando que o local fica próximo a um depósito de lixo, em uma zona urbana na qual seus animais não poderão pastar.

O ministro israelense da Defesa, Avigdor Lieberman, celebrou a decisão da Suprema Corte.

"Felicito os juízes por sua decisão corajosa ante os ataques hipócritas orquestrados por Abu Mazen (Mahmud Abbas, presidente palestino), a esquerda e os países europeus", escreveu Lieberman no Twitter.

"Ninguém nos impedirá de exercer nossa soberania e nossa responsabilidade enquanto Estado", completou.

Os defensores dos beduínos justificam a construção do vilarejo sem autorização pela impossibilidade de obter permissões em grande parte da Cisjordânia, ocupada por Israel.

Tawfiq Jabareen, advogado dos habitantes, acusou a Suprema Corte de "seguir o governo de direita israelense" e não descartou uma resistência dos beduínos.

Israel ocupa há mais de 50 anos a Cisjordânia, onde várias comunidades beduínas estão instaladas ao leste de Jerusalém, em um setor onde, segundo ONGs de defesa dos direitos humanos, Israel projeta uma expansão da colonização.

Entre a Cisjordânia ocupada e Jerusalém Oriental mais de 600.000 colonos israelenses vivem ao lado de quase três milhões de palestinos.

As colônias israelenses se apoderam, pouco a pouco, das terras palestinas, encolhendo o território no qual os palestinos desejam estabelecer seu futuro Estado. A médio prazo, as colônias privam os palestinos de uma continuidade territorial e tornam inviável o projeto de Estado palestino.

A colonização é ilegal do ponto de vista do direito internacional. Muitos países a consideram o maior obstáculo para a paz entre Israel e os palestinos.

 

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