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Talibãs afegãos anunciam morte do chefe da rede Haqqani

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Os talibãs anunciaram a morte de Jalaluddin Haqqani, líder de uma rede rebelde muito ativa no Afeganistão.

"Assim como sofreu adversidades pela religião de Alá durante sua juventude (...) sofreu uma longa doença em seus últimos anos", revela o comunicado dos talibãs afegãos publicado no Twitter.

"Com grande pesar anunciamos que o estimado Al Haj Mawlawi Jalaludin Haqqani faleceu após uma longa batalha contra a doença", completa o texto.

Os talibãs não revelaram quando e onde ele morreu, mas as autoridades acreditam que morava no Paquistão e tinha mais de 70 anos.

Desde 2008 circulavam boatos sobre sua morte, que nunca foram confirmados pelos talibãs.

Jalaluddin Haqqani fundou nos anos 1980 a rede homônima para lutar contra a presença da URSS no Afeganistão, um objetivo para o qual obteve a ajuda de Estados Unidos e Paquistão.

Ministro do regime talibã na década de 1990, Haqqani envolveu suas forças na luta contra os americanos e a Otan a partir de 2001, após a queda do regime fundamentalista.

A rede Haqqani é uma facção dos talibãs afegãos responsável por numerosos ataques no Afeganistão, alguns contra as tropas americanas e da Otan.

Suspeita-se de que a rede mantenha ligações com a Al-Qaeda e com o grupo Estado Islâmico, que executaram ataques violentos em Cabul.

O grupo foi acusado por um atentado com caminhão-bomba que matou 150 pessoas em maio de 2017 em Cabul, mas Sirajudin, um dos filhos de Jalaludin Haqani, negou o envolvimento em uma gravação de áudio incomum.

O governo dos Estados Unidos classifica a rede como um grupo terrorista, responsável pelo assassinato de autoridades afegãs e o sequestro de ocidentais para obter o pagamento de resgate. Também é conhecida pelo recurso de atentados suicidas.

A morte deve ter pouca influência na situação do Afeganistão e Paquistão, pois a rede é liderada agora por seu filho Sirajudin Haqqani.

"Desde que ficou doente, permanecendo na cama nos últimos anos, já não dirigia o grupo. Sua morte não afetará de modo algum. Seus filhos assumiram o lugar e comandam as operações", disse à AFP o analista político afegão Atta Noori.

"A rede Haqqani continuará a mais violenta dos talibãs e seguirá atacando como no passado, porque seu principal objetivo operacional é frear a influência indiana e americana no Afeganistão", completou.

"Duvido que sua morte mude algo", reagiu um diplomata afegão.

Seu filho Sirajudin dirige a rede "com um apoio importante do ISI", afirmou o diplomata, em referência ao Inter Services Intelligence, o serviço secreto do Paquistão.

 



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