Alemanha discute monitar partido nacionalista AFD

Novo ato contra xenofobia reuniu 50 mil na Saxônia

Mais de 50 mil pessoas protestaram, no domingo, (2) contra a xenofobia e a extrema-direita na Alemanha, no marco de uma forte reação aos recentes acontecimentos de Chemnitz, cidade onde há uma semana desatou uma tensão nacionalista.

A manifestação ocorreu na Saxônia, com um show de rock da banda Kraftklub e sob o slogan "nós somos mais". O ato pediu uma Alemanha "tolerante e aberta", que recebe bem os refugiados e imigrantes. "Say it loud, say it clear, refugees are welcome here (Diga alto e claramente, refugiados são bem-vindos aqui)", proclamaram os organizadores.

No palco, estiveram também Die Toten Hosen, os "punkers" Feine Sahne Fischfilet, os "hip hoppers" K. I. Z. e os "rappers" Marteria e Casper.

Ao mesmo tempo em que os manifestantes faziam o show, o nacionalista Alternativa para a Alemanha (AFD) se tornava epicentro de uma polêmica, com o autoridades e políticos locais pedindo que o movimento seja monitorado pelo governo devido aos seus discursos inflamados de ódio. O líder do AFD, Bjorn Hocke, por exemplo, define o Memorial do Holocausto de Berlim como "um momento à vergonha".

O AFD, no último fim de semana, organizou um ato em Chemnitz com o grupo antimuçulmano Pegida contra imigrantes e contra a morte de um alemão supostamente cometida por dois estrangeiros - um sírio e um iraquiano - na cidade. O ato, que reuniu 4 mil participantes, terminou com nove feridos e 25 detidos, após um confronto com movimentos opositores à extrema-direita.

"Não são cívicos e nem patriotas. São um partido e o qual os serviços internos devem vigiar", pediu a secretária do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), Andrea Nahles. A posição foi compartilhada pela ministra da Justiça, Catharina Barley: "Parte do AFD atua claramente contra a Constituição e devem ser tratada como outro inimigos da Carta Magna, colocados sob vigilância", disse.

No entanto, o ministro do Interior Horst Seehofer excluiu que existam condições para colocar "todo o partido" em vigilância.