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Netanyahu celebra decisão americana de cancelar ajuda aos palestinos

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O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu celebrou neste domingo a decisão americana de encerrar o financiamento da Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos (UNRWA).

Washington, que até o ano passado era, com folga, o maior contribuinte da UNRWA (350 milhões de dólares ao ano, contra menos da metade da União Europeia), anunciou na sexta-feira o fim do financiamento do que o Departamento de Estado chamou de "operação irremediavelmente tendenciosa".

"Esta decisão é importante e nós a apoiamos", afirmou Netanyahu durante uma visita a uma escola, no dia em que Israel celebra o começo do ano letivo.

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Benjamin Netanyahu (Foto: AFP / Petras Malukas)

A agência da ONU ajuda aos palestinos - e a seus descendentes - que foram expulsos ou obrigados a partir durante a guerra de 1948, pela criação de Israel.

Estados Unidos e Israel se opõem ao fato de que os palestinos possam transmitir o status de refugiado a seus filhos e desejam uma redução do número de pessoas beneficiadas pela ajuda da UNRWA, algo que os palestinos denunciam como uma violação de seus direitos.

Netanyahu questiona o número de refugiados palestinos registrados na UNRWA, afirmando que seu país recebeu refugiados do mundo inteiro, incluindo sobreviventes do Holocausto durante a Segunda Guerra Mundial e judeus "desarraigados" dos países árabes em 1948, na primeira guerra israelense-árabe.

"Centenas de milhares de judeus vieram como refugiados, sem nenhum bem, e nós não deixamos que continuassem como refugiados, se tornaram cidadãos com igualdade de direitos em nosso país", afirmou o primeiro-ministro israelense.

Os refugiados palestinos no Líbano e na Jordânia não têm o mesmo status nem os mesmos direitos que os cidadãos destes países.

A UNRWA "perpetua a situação dos refugiados ao invés de resolver", completou o premier.

"É preciso acabar com esta situação e utilizar o dinheiro para ajudar realmente na reabilitação dos refugiados", disse.

No sábado, os palestinos, convencidos de que Washington deseja "liquidar" sua causa, reagiram com revolta e medo à decisão do governo americano de encerrar o financiamento da UNRWA.

Esta decisão é a mais recente de uma série de medidas polêmicas da administração americana, aplaudidas por Israel e muito criticadas pela comunidade internacional e os palestinos, que veem cada vez mais longe a possibilidade de criar um Estado independente.

Os cortes acontecem no momento em que a ONU e o Egito negociam um cessar-fogo duradouro entre Israel e Hamas, o grupo armado que governa a Faixa de Gaza, onde mais de 80% dos moradores dependem de ajuda para sobreviver.

A Autoridade Palestina rompeu suas relações com Washington em dezembro de 2017, quando Donald Trump reconheceu Jerusalém como a capital de Israel. Como resposta, Trump anunciou em janeiro que a liberação da ajuda aos palestinos dependia do retorno destes à mesa de negociações.

A administração americana adotou medidas de maneira gradual. Primeiro com o envio de apenas 60 milhões de dólares à UNRWA, contra US$ 350 milhões em 2017. Depois, com o anúncio do cancelamento de mais de 200 milhões de dólares de ajuda bilateral aos palestinos, ou seja, quase toda a assistência americana à margem da cooperação na área de segurança.

Muitos analistas acreditam que o objetivo de Trump não é levar os palestinos de volta à mesa de negociações, e sim ajudar Israel a "acabar com o conflito em suas condições e legalizar a ocupação".



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