justa homenagem

Antes apontados como “cães traidores”, judeus agora servem aos alemães sem medo

Jack Ewing

THE NEW YORK TIMES

Soldados alemães, incluindo um usando solidéu, marcha- ramem silênciopor umcemi- tério cobertode folhasem Frankfurt,no domingopassa- do. Eles deixaram coroas de flores em um memorial para soldados judeus mortos lutan- dopelo kaiserdurante aPri- meira Guerra Mundial. A cerimônia, primeiro servi- ço público no local em anos, foi organizada pela Associação dos Soldados Judeus. O grupo épequeno, masestá emcres- cimento noExército alemão, cuja existência comprova que é possívelpara osjudeus ser- virem na organização que já tentou varrê-los do mapa. – Cada vez mais jovens ju- deus confiam no Exército – dis- se, na cerimônia, Gideon Roe- mer-Hillebrecht, oficial-gene- ral do Estado Maior no Minis- tério daDefesa epresidente substituto daassociação de soldados judeus. Michael Berger, presidente do grupo ecapitão do Exér- cito, disse que, embora não se tenha número exato de solda- dos judeus, não havia mais do que 200 deles. Apesar de to- dosos jovenshomensale- mãesestarem sujeitosaore- crutamento para serviço mi- litar obrigatório, eles podem escolher desempenhar servi- ço público civil. Abraham Ben, filho de um so- breviventede campodecon- centração que ajudoua orga- nizar eventos semelhantes em Munique, não vê problema em ter judeus servindo no moder- no Exército alemão. – Dez anos atrás, teria lhe da- do umaresposta diferente– disse. – Mas os judeus na Ale- manha nãoestão maissenta- dos por aícom as mochilas prontas. Aqui é o nosso lar. dante, masteve queouvir ou- tro referir-se aos judeus como “cães covardes”. Nacerimônia dedomingo, soldados desarmados com lon- goscasacosde lãcinzaanda- vam ladoa lado sob aleve ga- roa pelo cemitério, outrora de- serto. Depoisque ossoldados deixaram ascoroas nomemo- rial, um músicomilitar tocou uma marcha fúnebre.Os no- mes de 50 soldados enterrados foramlidos emvozalta, eum rabino fez uma prece. O memorial, com textos em he- braico ealemão, foiparcial- mente restauradodepois que partes foram encontra- das, hádois meses,cober- tas por terra, segundo Majer Szanckower, diretor do cemi- tério. Mas ainda faltam peda- çosdo memorial.Odomingo marcou o início de um esforço para restaurá-lo totalmente. Para Szanckower, nãoficou clarose o memorialfora danificadopor vândalos ou pelo tempo. No memorial, uma pedra se- micircular erguidaem 1925 homenageia 467 dos 12 mil sol- dadosjudeus quemorreram lutando do lado alemão na Pri- meira Guerra Mundial. Muitos judeus espe ravam queo ser- viço militar fosse promover a aceitação delesna sociedade alemã, de acordo com oradores no memorial e, depois, um pai- nel de discussão. Mas, depois daguerra, mitosnazistascul- pavam os judeus por traição e pela derrota da Alemanha.

Diário

Salomon Korn, vice-presi- dente do Comitê Central dos Judeus na Alemanha, leu tex- to do diário de um soldado ju- deu na Primeira Guerra Mun- dial que foi condecorado com a CruzdeFerro porumcoman-

Tradução: Victor Barros

Fredrik Von Erichsen/AFP