Em declínio após 33 anos, comunistas não conseguiram eliminar as desigualdades

Agora, o Partido do Congres- so está aliado a Mamata Baner- jee, exaltado líder político cujo Partido do Congresso Trinamo- ol é o favorito para derrotar os comunistas no próximo ano. Analistasatribuem odeclí- nio,em parte,aosinevitáveis excessosde qualquerpartido quefica tantotempo nopoder. Instituições como polícia, esco- las, universidades e hospitais se tornaram profundamentepoli- tizadas, observam os críticos. Entretanto, os comunistas tambémsão minadospelas mesmas forças políticas volá- teis que reverberam em outras regiões da Índia, onde a indus- trialização estáalimentando conflitos para controlar terras. Dentro do Writers’ Building, de onde os britânicos adminis- travam a Índia colonial e que hoje é a sededo poder em Bengala Ocidental, há a sen- sação de que outro império está desmoronando. – Não acho que seja um crime estar nogoverno por33 anos com o mandato do povo em uma democracia parlamentar – argumentou Surjya Kanta Mishra, ministro da Saúde. Mishra suspiraquando ques- tionado se a coalizão Frente de Esquerda sustenta o poder há tempo demais. Admite: – Há erosãona nossa base de apoio.

Novas percepções

Nirupam Sen, ministro do Co- mércio, explica queforam “os trabalhadoresrurais pobrese marginaisque ganharamopo- der em áreas rurais”. Desde 1977, quando chegaram ao po- der,os comunistasiniciaram uma abrangente campanha de redistribuição de terrasa pe- quenos agricultores. Hoje, qua- se 84% da área rural da Bengala Ocidental pertencem a campo- nesescomuns, emcomparação a uma média nacional de 43%. Mas em 2006, o ministro-chefe Buddhadeb Bhattacharjeefez da Índia, o grupo Tata, se tornou um fracasso, quando trabalhado- res rurais se revoltaram contra a aquisição da terra. – Eles falam sobre os traba- lhadores rurais, mas partido e governo tomam a terra à força – acusou Partha Chatterjee, da alta hierarquia do Trinamool, líderda oposiçãonaAssem- bleia Estadual. LaveeshBhandari eBibek Debroy, economistas, docu- mentaram uma piora contínua no desempenhode políticas. Ambos descobriram queo es- tado tinha piorado em índices de evasãoescolar, naquanti- dade média de alunos por tur- ma e nas taxas de desemprego para quem recebe educação. “Apesar de falarmuito em igualdade e eliminação das de- sigualdades, o governo de Ben- gala Ocidentalnão consegue melhorar a vida das pessoas nos distritos mais negligencia- dos”, escreveram. – A política marxista chegou a ummomento crítico–criticou Kshiti Goswami,ministro de Obras Públicas e membro de um dos menores partidos da Frente de Esquerda. Ele sugere quea América La- tina pode dar pistas, e pergunta: – Qual é o caminho? A grande pergunta é como isso pode ser feito. Por isso é que este é um momento histórico.

Diferentes esferas sociais estão mais politizadas, e a Frente de Esquerda está perdendo apoio da base

campanha com um slogan pró-in- dústria,

Destino Bengala

, prome- tendo atrair fábricas e empregos. Mas o plano de uma fábrica de automóveis parao conglomera- do corporativo mais conhecido

Sami Siva / The New York TimesNOCOTIDIANO– Bhattacharjee, líder comunista (E), chega à sede do partido (C); é possível ver estátuas de Marx e Engels em praças (D)