Opressão que queima

AFEGANISTÃO

Lynsey Addario / The New York Times

Alissa J. Rubin

THE NEW YORK TIMES

Até as famílias mais pobres no Afeganistão têmfósforo egás de cozinha. A combinação, que dá sustentação à vida, também pode ser ferramenta para a mor- te–para fugirdapobreza,dos casamentos forçados,dos abu- sos e do desalento que, em geral, afetam as mulheres afegãs. Uma noite antes de ter atea- do fogo em si mesma, Gul Zada levou os filhos para uma festa na casa da irmã. Tudo parecia bem. Mais tarde, descobriram que Gul não levou presente, e umparente gritoucomela, conta o filho Juma Gul. Esse simples acontecimento aparentemente amagoou. Gul, 45, era mãe de seis filhos e ganhavapouquíssimo lim- pando casas.Foi internada com quase 60% do corpo quei- mado no hospital de Herat, o único do país que atende este tipo de pacientes. É difícil so- breviver até com 40%. – Ela estava queimada da ca- beça aos pés – lembra o filho.

Submissas à família pela cultura do país islâmico, mulheres põem fogo no próprio corpo para fugir de casamentos arranjadosREJEIÇÃO– Zahra, 21, queimou-se para evitar casamento forçado

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