Mesmo com a população bem organizada, falta assistência em algumas áreas mais atingidas

Nas quase duassemanas que se passaram desde que surgiu a primeira coluna de cinzas do Me- rapi, muitosmoradores volta- ram às vilas para ver como estava o gado, propriedade que, em ge- ral, constitui o maior ativo dos ruralistas locais. Outros se recu- saram a sair, na crença de que um líder espiritual ou espírito guar- dião pudesse protegê-los. Na semana passada, o presi- dente, SusiloBambang Yudhoyono, atribuiu as mortes prematuras à recusa em deixa- rem olocal, culpandocrenças em “superstições” e defenden- do “o ponto de vista científico”. Mas asautoridades dividema culpa: elas foram incapazes de levara caboaordem deremo- ção à força,ou fizeram-no de forma seletiva.Gemampir de- via tersido abandonadahá dias. Mas, além do fracasso das autoridades, asescolas davila eram usadas para os sem-teto, como Puranti e seus parentes.

Informação desencontrada

Não está claro o número de Para Phillip, muitas pessoas não serão capazes de voltar pa- ra casa. A longo prazo, a recu- peração também será difícil. No pé do morro, voluntários que prestamajuda humani- tária reclamaram que muitos deles, ao leste do Merapi, ain- da não foram alcançados pe- lo governo. Em Gemampir, a aproximada- mente 13 quilômetros da beira do vulcão, os moradores da vila permaneceram no local apesar de asautoridades declararem umazona deperigode 15qui- lômetros naúltima quarta-fei- ra. Mesmo depois de a zona ser estendida,sexta-feira, para20 quilômetros, os mais de dois mil moradores de vila acolheram outras 400 pessoas. Sutopo Purwo Nugroho, diretor de redução de riscos naturais da AgênciaNacional deGestãode Desastres, disse nãosaber por que a saída de Gemampir demo- rou tanto para acontecer. O governo,segundo odire- tor, ofereceu compensação de US$ 780a US$1.300 porca- beça degado perdido,para convencer as pessoasa deixa- rem as casas. – Esperamos que isso impeça que as pessoas voltem para as vilas – completou Nugroho.

Em locais a leste do Merapi, equipes reclamam da falta de ajuda governamental

Dudi Anung / AFP

C U L PA

– Presidente Yudhoyono (C) responsabiliza a crença em supertições pelo número de mortesTradução: Victor Barros

pessoas que saíram das vilas ao redordo vulcão.A estima- tivadogoverno ficouem278 mil, e a da Cruz Vermelha em 135 mil. As autoridadesgarantiram que a crise estava sob controle, com comida, remédios e abrigos suficientes para atender às exi- gências básicasdos queforam retirados decasa. Noentanto, em algumas áreas, coordenação e suprimentos estão em falta. Até nas áreas mais organiza- das, a ameaça do vulcão impre- visível – que voltou a entrar em erupção domingo – mostra que as pessoas amontoadas em acampamentos correm risco ca- da vezmaior decontrair doen- ças, segundo a Cruz Vermelha. – A respostatem sido muito boa até aqui, mas, como no ca- so de qualquervulcão, é pre- ciso esperar para ver – infor- mou PhillipCharlesworth, presidente dadelegação da Federação Internacionalda Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho na Indonésia. – Mas algoprecisaser feitoemprol daquela pessoas que estão umas em cima das outras.