T alibã se impõe a EUA e Otan

ORIENTE MÉDIO

Para tentar minizar as per das, Otan e gover no afegão decidem sentar à mesa de negociação com líder es do gr upo ter r orista

der , segundo especialistas ouvidos pelo

JB

. – Isso significa uma espécie de capitulação , já que estão quase ad - mitindo a derr ota – esclar ece Ber - nar do K oc h er , pr ofessor de história contemporânea da Uni v er sidade F eder a l Fluminense (UFF). André P anno Beirão , pr ofessor da Escola de Guerr a Na v al, encar a a situação de outr a f orma: – Este ato r epr esenta o f ato de aceitar em negociar com um g rupo que er a encar ado , até então , como alv o par a eliminação – analisa. – Dialo gar com um g rupo terr orista não é típico da política americana. Andr ea Ribeir o , pr ofessor a de r elações internacionais na Escola Superior de Pr opaganda de Mar- k eting e na Uni v er sidade F eder al Fluminense (UFF), lembr a que essa r eunião é a do r ecém-criado Conselho de P az, que tem apoio internacional e financiamento de US$ 784 milhões.

Longa guerra

Os pr ofessor es e xplicam que o Afeganistão está em guerr a de f ato desde 1979, quando a União So - viética in v adiu o país de maneir a in usitada – pois ambos não er am ideolo gicamente alinhados. F oi

PROTEÇÃO

– Comandada por Petraeus, Otan pr eser va líder es talibãs

nessa guerr a, que dur ou até 1989, que os talibãs sur gir am. Em 1996, eles c hegar am ao poder e gar an - tir am cinco anos de paz ao país, além de ter em a brigado um mo - vimento r eligioso c hamado Al Qae - da. Nesse período , er am r espalda - dos pelos EU A, que viam no g rupo islâmico uma f orma de impedir o a v anço do r egime com unista. A guerr a no Afeganistão ganhou a configur ação atual em 2001, de - pois do 11 de Setembr o , quando o talibã f oi acusado de dar r efúgio a Osama bin Laden e, assim, f a v o - r ecer o terr orismo . Há f ortes e vi - dências da ligação do g rupo com a Al Qaeda (ou seja, com Bin Laden), mas nenhuma pr o v a concr eta. A in v asão não f oi apoiada pela ONU , mas encontr ou suporte na Otan ao usar o conceito de guerr a pr eempti v a: atacar antes de ser atacado . É m u ito semelhante ao de guerr a pr e v enti v a, pr oibido pela Carta da ONU . Desde que f oi e xpulso do po- der , este mo vimento r adical is- lâmico tenta r etomá-lo empr een- dendo um conflito de guerrilha. E, mesmo assim, tem mais apoio popular do que o próprio Karzai, segundo Andr ea. – Ele é um aliado americano que não tem legitimidade no po v o . P anno v ai mais fundo: – Hoje, o go v erno afegão é u m f actoide americano . Ele f atal- mente r epr oduzirá o p leito ame- ricano na mesa de negociação .

Exigências no diálogo

Os especialistas concor dam que o T alibã de v erá r eclamar a r etir ada estr angeir a do território . – Essa, uma questão que o g o- v erno afegão não de v erá permitir que aconteça – e xplica Andr ea. K oc her acr edita que o g rupo queir a liber dade de ação , já que também de v e estar en v olvido com o comér cio e a pr odução de ópio . P or outr o lado , o go v erno de Karzai, enfr aquecido com o i n- sucesso das eleições e os quase dez anos de guerr a, de v e ofer ecer car gos no go v erno par a os líder es talibãs. Mas Andr ea aponta um pr oblema que ninguém quer v er: – É complicado um acor do de paz até dentr o do T alibã. Se há uma fr agmentação no próprio g rupo , é difícil ter uma gar antia par a a paz.

Dan Kitwood / AFP

ILEGÍTIMO

– Kar zai não tem o apoio popular do qual talibãs desfr utam

Evelyn Soar es

Da vid P etr aeus, gener al das f orças da Or ganização do T r atado do Atlântico Norte (Otan) no Afe- ganistão , an unciou que suas tr o- pas darão a gar antia de segur ança à elite talibã – que seguiu do P a - quistão até a capital afegã, Ca bul – par a participar de con v er sações de paz par a o Afeganistão . S e- gundo r eportagem do

Th e N e w Y ork T imes

, além dos líder es da Shur a Quetta, conselho dirigente do T alibã que super visiona as ações do g rupo , a negocia- ção terá a pr esença de autoridades próxi- mas ao pr esidente afegão , Hamid Karzai. P ar a sentar à mesa e dialo gar sobr e a sonhada paz, os talibãs e xigir am que não f ossem atacados ou pr esos por f orças da Otan. P elo f ato de a guerr a no país estar ficando cada v ez mais san - g r enta e a vitória ser pr atica - mente dos talibãs, os ame - ricanos e o go v erno ofi - cial ti v er am de ce - der par a não per -

Se antes os americanos queriam eliminar o T alibã, agora são obrigados a dialogar com o gr upo